CARE Moçambique ajuda mais de 200 mil afetados por cheias e terrorismo

CARE Moçambique ajuda mais de 200 mil afetados por cheias e terrorismo

Mais de 200 mil moçambicanos afetados pelo terrorismo no norte e pelas cheias no sul beneficiaram de assistência humanitária através do projeto Restore, liderado pela CARE Moçambique, segundo as instituições envolvidas.

© Lusa


14/10/2026
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Lusa

Mais de 200 mil moçambicanos afetados pelo terrorismo no norte e pelas cheias no sul beneficiaram desde abril de assistência humanitária através do projeto Restore, liderado pela organização CARE Moçambique, anunciaram hoje as instituições envolvidas.

 

O diretor nacional-adjunto da CARE Moçambique, Vicente Adriano, disse em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, que o projeto previa apoiar 152 mil pessoas, mas acabou por superar a meta inicial.

“Prevíamos assistir 152 mil pessoas, e nós conseguimos assistir mais de 200 mil pessoas”, afirmou.

Segundo o responsável, cerca de 25% dos beneficiários correspondem a famílias afetadas pelas cheias na província de Gaza.

No setor da agricultura e segurança alimentar, a organização apoiou mais de 18 mil pessoas com insumos agrícolas e ferramentas para retomar a produção após as inundações.

“Providenciámos assistência a mais de 18 mil pessoas com insumos agrícolas e ferramentas para uma recuperação rápida logo depois das cheias”, disse.

A CARE Moçambique, representação da organização humanitária internacional CARE International, liderou o projeto Restore, implementado entre abril e outubro nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Gaza, que prestou assistência a famílias afetadas pelo terrorismo e pelas cheias através de apoio alimentar e agrícola, serviços de saúde, água e saneamento, construção de abrigos, apoio documental e espaços de aprendizagem para crianças, num programa orçado em oito milhões de dólares (6,9 milhões de euros).

A intervenção incluiu ainda assistência monetária não condicionada durante três meses consecutivos para famílias afetadas.

“Essa assistência monetária permitiu dar maior liberdade e flexibilidade às famílias para responderem às suas necessidades”, acrescentou.

Na área da saúde, através de brigadas móveis realizadas em coordenação com as autoridades sanitárias distritais e provinciais, foram apoiadas mais de 6.000 pessoas em zonas de difícil acesso, incluindo nos distritos de Ancuabe e Chiúre.

Vicente Adriano destacou igualmente as intervenções no setor da água, saneamento e higiene, incluindo a reabilitação de infraestruturas para comunidades regressadas às zonas de origem após deslocações provocadas pelo conflito armado.

“Estamos a falar de mais de 30 fontes de água reabilitadas”, afirmou.

Segundo o responsável, as equipas distribuíram ainda kits de água, saneamento e higiene contendo baldes, detergentes e sabão para responder às necessidades das famílias durante três meses.

No setor do abrigo, considerado um dos mais exigentes da resposta humanitária, o projeto permitiu construir cerca de 1.500 habitações.

“Construímos casas com coberturas de chapa de zinco ao nível do distrito de Chiúre, mas também construímos casas com cobertura de lonas sobretudo nas zonas de maior insegurança. Estamos a falar de 1.500 abrigos no seu todo”, explicou.

Apesar dos resultados alcançados, Vicente Adriano alertou para a persistência das necessidades humanitárias.

“As necessidades ainda são enormes. A nossa capacidade de cobertura está abaixo de 40%, olhando para as necessidades globais”, afirmou.

O responsável apontou igualmente constrangimentos ao financiamento humanitário internacional.

“Moçambique compete com outras emergências globais que têm merecido atenção dos doadores e há uma redução do financiamento global”, disse.

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Lusa | 09:06 – 14/10/2026

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