O Rei Carlos III pagou as reparações na mansão que o seu irmão, o ex-príncipe André, ocupava até recentemente nos terrenos do Castelo de Windsor, no valor de 1,5 milhões de libras (1,7 milhões de euros), noticiou a imprensa britânica.
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09/10/2026
por
Lusa
O Rei Carlos III pagou as reparações na mansão que o seu irmão, o ex-príncipe André, ocupava até recentemente nos terrenos do Castelo de Windsor, no valor de 1,5 milhões de libras (1,7 milhões de euros), noticiou a imprensa britânica.
O monarca liquidou com recursos privados a dívida que o irmão tinha, por danos causados na propriedade, para com a Crown Estate, entidade que gere o património da Coroa em benefício público e que lhe arrendava a Royal Lodge, em Windsor (oeste de Londres).
O valor total calculado pela deterioração da residência ascendia a 1,8 milhões de libras (cerca de 2,12 milhões de euros), mas foram descontadas as 302 mil libras (356.360 euros) que o ex-príncipe tinha direito a receber como indemnização pela rescisão antecipada do seu contrato de arrendamento.
No final do ano passado, Carlos III pediu ao irmão que se mudasse da Royal Lodge para uma residência privada da família real em Sandringham, no leste de Inglaterra, e retirou também os seus títulos de nobreza — incluindo o de príncipe — após a revelação da extensão da sua relação com o pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein.
André, de 66 anos, foi detido a 19 de fevereiro — dia do seu aniversário — e mantido sob custódia policial durante várias horas, facto inédito na história moderna da família real britânica.
As buscas foram realizadas na residência do irmão do Rei Carlos III em Sandringham e na sua antiga residência em Windsor, cerca de trinta quilómetros a oeste de Londres.
A detenção seguiu-se a novas revelações sobre as suas ligações ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, morto na prisão em 2019.
Até à data, não foi formalmente acusado e sempre negou qualquer irregularidade relacionada com o caso Epstein.
É alvo de uma investigação policial por “má conduta no exercício de cargos públicos”, sob a suspeita de ter passado documentos económicos confidenciais a Epstein quando atuava como representante do Reino Unido para o comércio, entre 2001 e 2011.
Em maio, a polícia informou que estava também a analisar uma acusação de agressão sexual contra André, despojado dos seus títulos reais no ano passado pelo Rei Carlos III, na sequência, entre outros fatores, da publicação de factos que o incriminavam nas memórias póstumas da norte-americana Virginia Giuffre, a principal acusadora de Epstein, que se suicidou em abril de 2025.
O príncipe britânico foi acusado de agressão sexual por Giuffre, quando esta tinha 17 anos.
O Tribunal Superior de Londres declarou esta semana ilegais as buscas realizadas em fevereiro à casa de André, durante a sua detenção no âmbito do caso Epstein, mas assegurou a legalidade da investigação.
O irmão do Rei Carlos III contestava no tribunal a legalidade das buscas na sua atual residência e na sua antiga habitação, na sequência da sua histórica detenção em fevereiro.
“O facto de os mandados de busca terem sido anulados não encerra a investigação, nem significa que toda a investigação tenha sido ilegal”, sublinhou o juiz Nicholas Hilliard.
Em comunicado, a polícia de Thames Valley afirmou procurar meios legais para manter os artigos apreendidos durante as diligências e salientou que a investigação prossegue.
Segundo o juiz Hilliard, o príncipe destituído dos seus títulos opõe-se ao pedido da polícia para a manutenção das provas e será realizada uma audiência à porta fechada, “não antes de 2027”, prolongando ainda mais este caso embaraçoso.

