O líder do PS, José Luís Carneiro, pediu ao primeiro-ministro Luís Montenegro que não transforme a revisão da lei do arrendamento em ‘uma teimosia’ ou ‘uma disputa partidária’, prometendo limitar os impactos das medidas acordadas por PSD e Chega.
© Lusa
07/10/2026
por
Lusa
“Bater-nos-emos por esta causa que é de justiça social, é uma questão de dignidade, é uma questão de humanidade e eu apelo ao primeiro-ministro para que não faça disto uma teimosia, não faça disto uma disputa partidária, mas faça disto um tema de relevo para a vida das pessoas porque talvez tenha andado mal aconselhado”, respondeu José Luís Carneiro aos jornalistas, à margem das comemorações dos 40 anos do mestrado em Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em Lisboa, onde fez uma intervenção.
O secretário-geral do PS respondia a perguntas dos jornalistas sobre a revisão da lei do arrendamento do urbano, tema em relação ao qual já tinha exigido, nas comemorações do 05 de Outubro, que Luís Montenegro deixasse cair o acordo com o Chega.
José Luís Carneiro desafiou o Governo a pôr “a mão na consciência” e perceber “que a proposta que apresentou tem problemas graves para aqueles que mais precisam nesta altura de ter uma resposta com a habitação”.
“Não admira que a desumanidade do Chega esteja sempre pronta para se chegar à frente, mas depois percebendo as sondagens que há uma reviravolta no entendimento da opinião pública, muda de posição. Agora, o primeiro-ministro que não se deixe levar por esse encanto da sereia, tem de olhar para aquilo que interessa mesmo às pessoas”, pediu.
Segundo o líder do PS, quando esta proposta fora for discutida na especialidade, o PS vai procurar “contribuir para limitar os efeitos negativos daquele que é o caminho que o Governo, a AD e o Chega estão a querer fazer”.
“Que é um caminho que, como aconteceu com a legislação laboral, vai contra o interesse das pessoas, particularmente aquelas que têm menos poder”, criticou.
Para o líder do PS não há “outro instrumento democrático que não seja no Parlamento”, onde o PS promete bater-se pelas suas ideias agora na especialidade.
Na semana passada, quando a proposta de autorização legislativa do Governo para rever o regime de arrendamento urbano foi aprovada na generalidade, graças à abstenção do Chega, o PS viu chumbado o seu projeto de lei para criar a garantia pública de segurança no arrendamento habitacional.

