China confirma discussões sobre encontro entre Xi, Trump e Putin

China confirma discussões sobre encontro entre Xi, Trump e Putin

Pequim confirmou, pela primeira vez, que está a discutir um encontro histórico entre o líder chinês Xi Jinping, o Presidente norte-americano Donald Trump e o Presidente russo Vladimir Putin.

© Getty Images


07/11/2026
por

Lusa

Pequim confirmou, pela primeira vez, que está a discutir um encontro histórico entre o líder chinês Xi Jinping, o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Presidente russo, Vladimir Putin.

 

Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, referiu numa conferência de imprensa esta semana, em Pequim, que a China “está em contacto com as partes relevantes a propósito de uma reunião entre os três chefes de Estado”.

Nada está definido, mas o encontro entre os três líderes teria lugar este mês, à margem de uma cimeira regional na cidade de Shenzhen, no sul da China, noticiou a agência Associated Press (AP).

A concretizar-se, seria um acontecimento histórico, mas os especialistas, no entanto, avaliam que é improvável que os três líderes discutam qualquer assunto de substância, uma vez que os seus interesses são divergentes.

Reunir-se-iam, contudo, para uma foto, com a China a orquestrar cuidadosamente o encontro.

“Acredito que vai acontecer. A questão é o formato e o conteúdo. A China quer a imagem, mas não os custos”, frisou Sun Yun, diretora do programa sobre a China no Stimson Center.

Pequim é o anfitrião, este ano, da cimeira de líderes da Cooperação Económica da Ásia e do Pacífico (APEC), um grupo de 21 membros que inclui os EUA e a Rússia.

Trump deverá viajar para Shenzhen para se encontrar com Xi pela terceira vez este ano, mantendo uma frágil trégua comercial que deverá expirar em janeiro.

Num sinal de que as tensões persistem, o representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer, instou Pequim, durante uma videochamada realizada hoje com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, a tomar “medidas concretas para implementar plenamente os seus compromissos anteriores, particularmente no que diz respeito a compras de produtos agrícolas, terras raras e outros minerais críticos”, segundo um comunicado do gabinete de Greer.

Durante a sua estadia na China, Trump manifestou interesse em reunir-se com Xi e Putin para discutir o controlo de armas nucleares, embora Putin esteja focado em tratar da guerra na Ucrânia, sem a presença de Kiev à mesa.

“Putin é quem mais tem a ganhar com uma reunião trilateral de líderes, e os russos estão claramente por detrás da iniciativa para que esse encontro se realize, o que representaria uma cartada diplomática”, destacou Danny Russel, antigo alto funcionário do Departamento de Estado que serviu na administração do ex-presidente Barack Obama.

Trump, com a sua “queda por líderes autoritários de pulso firme”, adoraria o encontro, embora tenha sido claramente alertado pelos seus conselheiros para evitar que a Ucrânia fosse um dos temas das discussões, acrescentou Russel, que é atualmente investigador sénior no Asia Society Policy Institute.

Sun, do Stimson Center, observou que a Rússia provavelmente usaria a cimeira para tentar aproximar a China e os EUA das posições de Moscovo sobre a Ucrânia, enquanto “a China terá de lidar com a manipulação russa”.

A China também não participaria em negociações sobre o controlo de armas ou em discussões relativas à Ucrânia ou ao Irão, limitando-se ao seu habitual discurso diplomático de que a paz é importante e que as guerras devem chegar ao fim, acrescentou Sun.

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