O diretor executivo da Las Vegas Sands, que detém casinos em Macau, afirma que China e EUA “só têm a ganhar” com a trégua comercial entre os dois países.
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09/10/2026
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Lusa
O diretor executivo da empresa norte-americana Las Vegas Sands, que detém casinos na região chinesa de Macau, disse que a China e os Estados Unidos (EUA) “só têm a ganhar” com a trégua comercial.
No final de setembro, os dois países chegaram a acordo para prorrogar até 10 de janeiro de 2027 a trégua comercial alcançada em outubro de 2025 e que iria expirar em 10 de novembro.
“As duas maiores economias do mundo só têm a ganhar ao encontrar melhores formas de colaborar e investir mutuamente, gerando resultados benéficos para ambos os lados”, disse Patrick Dumont.
“As economias de ambos os países podem beneficiar de melhores relações, mais investimento e mais intercâmbios”, acrescentou o executivo, numa entrevista à agência de notícias financeiras Bloomberg, divulgada hoje.
“Esperemos que isso continue a longo prazo e que possamos colher os frutos, pois o turismo é um setor fantástico que aproxima as pessoas”, defendeu, na região semiautónoma chinesa de Macau.
No entanto, as receitas do jogo em Macau registaram em setembro o quarto mês consecutivo com quedas homólogas, caindo 17,5% para o valor mais baixo dos últimos dois anos: 18,1 mil milhões de patacas (1,97 mil milhões de euros).
Ainda assim, Patrick Dumont disse que permanece otimista quanto às perspetivas para o território, capital mundial dos casinos e o único local na China onde o jogo em casino é legal.
“Para nós, investir em Macau é algo que queremos mesmo fazer. Estamos muito entusiasmados com os nossos investimentos em áreas para além do jogo”, disse o diretor executivo da Las Vegas Sands, empresa mãe da Sands China.
Dumont falava antes dos Dallas Mavericks – equipa da qual é dono – disputar o primeiro de dois jogos da pré-época da liga norte-americana de basquetebol NBA, com os Houston Rockets no Venetian Macau, um hotel-casino da Sands China.
No final de 2024, a Sands China assinou um acordo com a NBA para realizar anualmente em Macau dois jogos de pré-época, até 2029, após anos de rutura entre a liga e a China.
Além da Sands China, operam em Macau outras cinco concessionárias, MGM, Galaxy, Melco, Wynn e SJM, que renovaram, em dezembro de 2023, o contrato de concessão para os dez anos seguintes.
Na altura, as seis operadoras comprometeram-se a investir “mais de 100 mil milhões de patacas” (11,1 mil milhões de euros) em elementos não ligados ao jogo.
A Sands China prometeu investir 33,4 mil milhões de patacas (3,69 mil milhões de euros), incluindo na criação de “um jardim de inverno icónico” com 50 mil metros quadrados.
Numa entrevista ao jornal Macau Daily News, publicada na terça-feira, o presidente da Sands China, Grant Chum Kwan Lock, garantiu que o projeto irá avançar.
“Continuaremos a investir em instalações e infraestruturas, incluindo o jardim de inverno previsto no nosso contrato de concessão de jogo, que acreditamos que se tornará um novo marco de Macau após a conclusão”, afirmou Chum.
Patrick Dumont disse acreditar que, a longo prazo, “estas iniciativas irão (…) criar experiências únicas que façam os visitantes voltar a Macau e que tragam mais turistas vindo de locais mais distantes”.
A esmagadora maioria dos quase 29 milhões de visitantes que chegaram a Macau nos primeiros oito meses do ano vieram ou da China continental (21,5 milhões) ou da vizinha região de Hong Kong (4,9 milhões).
O Governo exigiu às operadoras de casinos que apostem em outros mercados e também a Direção dos Serviços de Turismo tem promovido Macau no estrangeiro, incluindo nos países de língua portuguesa.

