A China isentou vistos de 35 países europeus, incluindo Portugal, reforçando as ligações aéreas com o continente, segundo o presidente da Comissão Europeia de Viagens.
© Shutterstock
20/10/2026
por
Lusa
A decisão da China de isentar de visto cidadãos de 35 países europeus, incluindo Portugal, tem ajudado a reforçar as ligações aéreas com a Europa, disse à Lusa o presidente da Comissão Europeia de Viagens.
Pequim começou em 2023 a isentar de visto os cidadãos de seis países europeus, alargando depois para 30 dias o período de permanência. A medida abrange cerca de 50 países, incluindo 35 estados europeus, e foi prorrogada até ao final de 2026.
“É verdade que o número de europeus que viajam para a China, provenientes de países europeus abrangidos pelo programa de isenção de vistos, aumentou drasticamente”, disse Miguel Sanz numa entrevista à Lusa.
Segundo dados oficiais, 17,8 milhões de turistas entraram na China com isenção de visto na primeira metade do ano, mais 30,6% do que no mesmo período de 2025.
“Eu acredito que isto também tenha beneficiado a conectividade entre a China e a Europa, uma vez que há mais pessoas a viajar no sentido oposto”, disse o presidente da Comissão Europeia de Viagens (ETC, na sigla em inglês).
A ETC é uma organização que reúne 35 agências de promoção do turismo da Europa, entre as quais o Turismo de Portugal.
O programa de isenção de vistos “é benéfico não só para a China, mas, de certa forma, também para a Europa, pois permite o crescimento da conectividade, o que é sempre um bom indicador”, defendeu Sanz.
A União Europeia fechou o espaço aéreo aos aviões russos após a invasão da Ucrânia, em 2022, e Moscovo retaliou com proibições semelhantes, tornando mais longas e dispendiosas as ligações entre a Ásia e a Europa.
Mais de quatro anos depois, o dirigente espanhol sublinhou que os voos diretos entre a China continental e a Europa, assim como ligações com escalas em locais como Hong Kong, Singapura, Tóquio e Seul, “estão em plena expansão”.
No entanto, a crise no Médio Oriente impôs um novo obstáculo, uma vez que os aeroportos da região representavam 14% do tráfego aéreo a nível global, incluindo “grande parte da conectividade entre a Ásia e a Europa”, reconheceu Sanz.
“É evidente que a situação no Golfo [Pérsico] tornou ainda mais difícil a deslocação entre a China e a Europa”, disse o presidente da ETC.
Ainda assim, Sanz sublinhou que “existe um grande interesse” em viagens entre a Ásia e o continente europeu, em ambas as direções, e que os operadores têm conseguido “encontrar formas de redirecionar estes viajantes”.
“Espero que a situação no Golfo [Pérsico] melhore o quanto antes, uma vez que as companhias aéreas da região têm um papel fundamental na conectividade entre a Ásia e a Europa”, acrescentou o espanhol.
Sanz reconheceu que a “situação geopolítica” tem “arrefecido um pouco” o interesse dos turistas em viagens de longa distância para a Europa, que parecem “mais difíceis do que eram há um ano”.
Mas “viajar continua no topo dos desejos dos consumidores”, contrapôs o dirigente, que deu como exemplo a China, mercado com “a maior percentagem de pessoas que pretendem viajar para a Europa nos próximos 12 meses”.
Em abril, a ETC divulgou um relatório segundo o qual o interesse em viajar está no nível mais alto desde 2020, embora com menos viagens, de menor duração e com orçamentos mais moderados, devido à incerteza e ao conflito no Médio Oriente.
“Os preços são algo que temos de analisar. Os bilhetes de avião estão a ficar muito caros”, defendeu o também diretor-geral da agência de promoção do turismo de Espanha.
“Todos precisamos de ajudar a aliviar a situação pois seria muito prejudicial se a conectividade fosse afetada porque as companhias aéreas preferem não operar os seus aviões devido ao custo do combustível”, disse Sanz à Lusa em Macau.
O presidente da ETC esteve na região chinesa a propósito do Fórum de Economia de Turismo Global, cuja 12.ª edição teve como tema “Crise, Resiliência e Evolução”.

