Em maio, a Ferrari apresentou o seu primeiro carro elétrico, o Luce, que gerou críticas. A ideia começou a tomar forma há uma década, em parte por culpa do CEO da Amazon, Jeff Bezos.
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09/10/2026
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Notícias ao Minuto
O Ferrari Luce, apresentado em maio passado, é o primeiro modelo 100 por cento elétrico do fabricante de Maranello. E dividiu opiniões, sobretudo devido ao seu design polarizador (e também inédito na história do construtor, ao ser uma berlina de quatro portas e cinco lugares).
Mas a ideia de fazer um Ferrari elétrico não é recente. De facto, começou a surgir há uma década, numa conversa que o diretor-executivo da Amazon, Jeff Bezos, teve com o presidente da Ferrari, John Elkann.
Foi o que revelou o dirigente italiano citado pela agência ANSA: “Bezos, a falar sobre inovação e sobre como isso estava a mudar o mundo, disse-me a certa altura: “Não sei nada sobre carros, mas sei muito sobre inovação, e acho que deviam considerar seriamente produzir um Ferrari elétrico“. Esse foi o primeiro momento, em julho de 2016, em que me ocorreu que precisávamos de começar a pensar seriamente sobre o que isso significaria“.
Mas só anos mais tarde é que a ideia se começou a tornar num projeto, algo que aconteceu após a saída de Jony Ive da Apple no pós-pandemia. Foi John Elkann que procurou o designer, pedindo-lhe conselhos “sobre como devíamos pensar na Ferrari”. Foi dessas conversas que surgiu o passo “natural” de encetar o projeto que culminou com o lançamento do Ferrari Luce.
Dos híbridos aos elétricos em 13 anos
Numa altura em que a transição energética na mobilidade está na ordem do dia, a Ferrari – conhecida por estar na vanguarda dos carros desportivos de alto desempenho – não quis ficar alheia.
O Luce é o primeiro automóvel 100 por cento elétrico saído de Maranello, mas não é o primeiro eletrificado. A eletrificação nos modelos de produção em série começou em 2013 com o LaFerrari mild-hybrid, enquanto em 2019 lançou o SF90 Stradale que foi o seu primeiro híbrido plug-in.
Por agora, o Ferrari Luce é o único modelo elétrico da gama. O segundo estava previsto para 2026 mas foi adiado e não chegará antes de 2028, segundo noticiou a Reuters em meados do ano passado citando duas fontes por dentro do assunto. Um adiamento que se deve à pouca procura por desportivos elétricos e dará tempo para desenvolver a tecnologia.
Mais de 1.000 cv de potência e preço exorbitante
De recordar que o carro, que pode custar mais de meio milhão de euros, contou com a participação da LoveForm de Jony Ive no design. Tem quatro motores elétricos (um por cada roda) capazes de debitar 1.049 cv de potência, estando assente num sistema elétrico de 800 volts. A bateria de 122 kWh permite percorrer 530 km (WLTP) com uma única carga.
O Luce é capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos e atinge os 310 km/h, tendo uma sonoridade resultante da captação do ruído real dos motores elétricos (e amplificado, à semelhança do que acontece com uma guitarra elétrica).
As quatro portas abrem-se em direções opostas, as jantes são as maiores de sempre de um Ferrari (23 polegadas à frente, 24 polegadas atrás), há uma asa frontal suspensa e grelhas de radiador ativas, assim como um sistema de suspensão ativa e vetorização total do binário nos dois eixos.
Por dentro, aposta num volante de três raios, patilhas atrás do volante para controlar a entrega do binário e um painel de instrumentos multicamada que mistura instrumentação digital e mecânica. Há três mostradores diferentes em estilo retro para os diferentes parâmetros e um ecrã tátil independente e articulado que pode ser inclinado mais para o condutor ou para o passageiro.

