O Governo de Cuba iniciou o Exercício Estratégico “Moncada 2026”, a decorrer hoje e quinta-feira em todo o país como preparação para uma possível agressão militar norte-americana, num contexto de elevada tensão com os Estados Unidos.
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04/11/2026
por
Lusa
O Governo de Cuba iniciou o Exercício Estratégico “Moncada 2026”, a decorrer hoje e quinta-feira em todo o país como preparação para uma possível agressão militar norte-americana, num contexto de elevada tensão com os Estados Unidos.
O Conselho de Defesa Nacional da ilha informou que o exercício militar tem como objetivo “continuar a elevar o nível de preparação e coesão dos órgãos de direção e de comando, das tropas, do sistema defensivo territorial e da economia em todas as instâncias para enfrentar qualquer variante de agressão”.
A nota do Conselho, amplamente divulgada pelos meios de comunicação estatais da ilha, referiu que se realizará na sexta-feira, 6 de novembro, o Dia Nacional da Defesa, no qual a população participará “em diversas tarefas relacionadas com a preparação para a defesa” do país.
O exercício “Moncada” é “a forma mais elevada e complexa de preparação dos chefes e órgãos de direção do país”, segundo um relatório da agência Prensa Latina.
O Conselho de Defesa Nacional da ilha adiantou que estes exercícios “são executados no terreno, através da ocupação dos postos de direção e de comando de prática e permitem troca de informações e organizar a cooperação nas condições mais próximas da realidade da guerra”.
O Governo de Havana tem denunciado reiteradamente há meses que Washington o ameaça com uma intervenção militar e, por conseguinte, retomou a sua estratégia de envolver toda a população com exercícios de preparação para esse eventual cenário.
O presidente americano, Donald Trump, disse no passado dia 23 de outubro, num comício de campanha eleitoral na Flórida, que os navios dos Estados Unidos “irão passar” por Cuba após a guerra no Irão e que o secretário de Estado, Marco Rubio, se encarregará de resolver a situação da ilha.
“O que vamos fazer com Cuba é que vamos regressar do Irão, com esses barcos lindos, vamos passar por Cuba, vamos fazer com que um deles pare a cerca de 45 metros da costa. Eles vão levantar as mãos e depois vamos enviar o Marco Rubio para fechar o acordo”, comentou Trump.
A Administração norte-americana tem pressionado desde janeiro o Governo cubano para que crie reformas profundas no seu sistema económico e no seu regime político, algo que Havana recusa, alegando que esses assuntos estão “dentro da soberania nacional e não são negociáveis”.
Para aumentar a pressão sobre a ilha, Washington impôs um bloqueio petrolífero que agravou a crise energética de que Cuba já sofria, ao qual se somou uma série de sanções adicionais sobre pessoas ou entidades que operem em setores chave da ilha, como energia, defesa, finanças e mineração.
Essas medidas norte-americanas, mais as políticas nacionais mal sucedidas, agravaram a crise energética e económica que se arrasta há vários anos em Cuba, o que tem levado a cortes de eletricidade prolongados, escassez de produtos básicos, impactos nos serviços essenciais, inflação galopante e crescente dolarização parcial.

