A perda de memória é o sintoma mais associada à demência, contudo, existem outros sinais a que se deve estar atento. Neurologistas revelaram 5 mudanças na alimentação que podem indicar a doença.
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04/09/2026
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Embora os problemas de memória sejam o sintoma mais conhecido da demência, existem uma série de outros sinais característicos deste diagnóstico.
Um artigo do HuffPost realça que há determinadas mudanças nos hábitos alimentares que podem indicar a presença da doença.
“Como neurologista que passou décadas a estudar a saúde do cérebro e a memória, uma das questões mais comuns que as famílias me fazem é: ‘a minha mãe começou a comer de forma estranha. Isso significa que tem Alzheimer?'”, realça a neurologista Majid Fotuhi.
A especialista explicou que a resposta, na verdade, é mais complexa do que um simples sim ou não.
Demência: Mudanças às quais deverá estar atento
Futuhi destacou que se alguém desenvolve novos hábitos alimentares, mas a sua memória, discernimento e comportamento diário aparentam estar normais, isso por si só não deve ser motivo de preocupação ou alarme.
“É exatamente por isso que uma mudança distinta e duradoura nos hábitos alimentares merece uma avaliação médica adequada, e não um palpite”, sublinha. Com base nisto, tome nota das alterações alimentares a que deverá estar atento.
1. As refeições ficam mais simples
“Uma das primeiras mudanças que as famílias poderão descrever é que o seu ente querido, que costumava cozinhar refeições elaboradas durante décadas, agora faz pratos mais simples, deixando mesmo a cozinha delado”, notou Joel Salinas, professor de neurologia.
As refeições mais complexas exigem planeamento e capacidades que a demência pode afetar. O neurologista Adam Mednick indica que as pessoas poderão ter dificuldades em planear, comprar ingredientes e preparar refeições.
2. Perda de interesse pela comida
Segundo os neurologistas, a perda de interesse pela comida é um sintoma comum de demência. Fotuhi notou que as alterações no cérebro podem levar à perda do olfato, o que reduz o prazer de comer. “A redução do olfato diminui muito o prazer da comida. Uma pessoa com demência pode descrever as refeições como insossas ou sem graça”, realça.
Para além disso, as refeições exigem o uso de talheres e a manutenção de conversas, o que pode causar stress a pessoas com demência.
3. Esquecer-se de comer ou das refeições
Uma vez que a demência afeta a memória, neurologistas afirmam que esta pode levar ao esquecimento de comer ou de que se já comeu.
“A demência dificulta a interpretação dos sinais internos do corpo sobre a fome e saciedade, bem como a ligação desses sinais com estímulos externos, como a hora do dia ou a visão de comida”, sublinha Mednick.
4. Escolhas alimentares restritas
Tal como referido anteriormente, as refeições exigem planeamento, por isso, é comum escolherem sempre a mesma refeição. Isto porque alimentos conhecidos criam uma sensação de segurança.
5. Desejos por doces
“A mudança para um maior consumo de doces é, de longe, a alteração relatada com maior frequência”, disse Mednick. Esta mudança acontece devido a danos nos circuitos de recompensa e controlo de impulsos do cérebro.
Fotuhi afirmou que o gosto por doces é mais comum em pessoas com demência frontotemporal (DFT), um grupo distinto de distúrbios cerebrais que prejudicam os lobos frontal e temporal. “O lobo frontal, normalmente, ajuda-nos a regular os impulsos e as escolhas alimentares. Quando é danificado, essa regulação enfraquece e surge, às vezes de forma drástica, uma forte atração por alimentos doces e ricos em amido, explicou.

