É despedido por agressão e visa Alverca: “Acionista principal é Vini Jr.”

É despedido por agressão e visa Alverca:

Mateus Mendes alega que a agressão a um adversário, no encontro do Campeonato de Portugal com o Oliveira do Hospital, foi motivada por “insultos racistas”, e lamenta que o Alverca, que lhe rescindiu o contrato, não tenha sido “solidário”.

© Instagram / mateusao02


14/10/2026
por

Carlos Pereira Fernandes

Mateus Mendes recorreu, ao final da noite de terça-feira, às redes sociais para quebrar o silêncio a propósito do facto de o Alverca lhe ter rescindido o contrato, na sequência da agressão levada a cabo contra um adversário, no passado fim de semana, na derrota sofrida pela equipa B, no Estádio Municipal de Tábua, perante o Oliveira do Hospital, por 3-1.

 

O jogador de 24 anos de idade revelou, agora, que o episódio que manchou o encontro da quinta jornada da Série 3 do Campeonato de Portugal (e que lhe valeu o cartão vermelho direto) teve como base “insultos racistas” de que foi, alegadamente, alvo, pelo que lamenta que o próprio clube não tenha sido capaz de adotar outro tipo de postura.

“Depois do que aconteceu, neste fim de semana, preciso de vir a público para explicar exatamente o que houve. Por volta do minuto 90+4 da partida, o atleta da equipa rival proferiu diversos insultos racistas para mim. Frases do tipo ‘Macaco’, ‘Preto sujo’ e ‘Volta para a tua terra’, entre outras coisas. Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram)”, começou por escrever.

“Pergunto: qual a solução para isso? Aguentar calado, fazer uma denúncia que jamais teria um resultado prático, ouvir todos dizerem que ‘é do jogo’ e deixar mais um racista seguir livremente o seu caminho, cometendo crimes contra outros pretos como eu? Ou, quem sabe, fazer um texto no Instagram, com frases bonitas, atacando os racistas e vendo-o sumir, depois de 24 horas, com milhares de ‘likes’? Ou simplesmente deixar passar, ‘É só mais um, já estou acostumado’, segue o jogo?”, prosseguiu.

“A agressão manifesta-se por diversas formas, e, neste caso, deu-se por palavras e ofensas racistas. Não podemos utilizar uma atitude para justificar a outra, mas, mais importante, não podemos relativizar ou diminuir atos racistas que se perpetuam. São mais de dez anos a ouvir essas mesmas coisas em campos de futebol, no Brasil e fora. E a ouvir também que isso é do jogo, que faz parte, que não é por maldade”, completou.

“Devo lembrar que o acionista principal do clube se chama Vinícius Júnior?”

No entanto, o guarda-redes brasileiro não se ficou por aqui. Justificou a reação extrema ao que ouviu com “erros dos outros”, “crimes” e “porque foi a gota de água”: “Depois de tanto, a mente não aguenta, o corpo não aguenta, o errado acontece. Peço desculpas aos meus companheiros de equipa, mas imaginei que um clube como o Alverca seria minimamente mais solidário à causa”.

“Devo lembrar que o acionista principal do clube se chama Vinícius Júnior? Que sofreu na pele (e por conta da sua pele) tudo por que passei, neste fim de semana? A ironia está nos detalhes, e é uma pena que ainda sejamos surpreendidos por isso. E espero que isso que aconteceu acenda um sinal de alerta para todos”, sublinhou.

“Estamos cansados de racismo. Estamos cansados de xenofobia. Estamos cansados de sermos vítimas diárias de um crime sem culpados, sem sentença e sem justiça. Estamos cansados de racistas. Que clubes, Ligas e federações ao redor do mundo entendam de uma vez que ‘o que acontece em campo, não pode ficar em campo’, e entendam que estamos cansados”, concluiu.

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