O Parlamento egípcio adiou a votação sobre um possível apoio militar à Arábia Saudita para 26 de outubro, após debates prolongados e incertezas sobre os detalhes da proposta.
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19/10/2026
por
Lusa
O Parlamento egípcio adiou hoje para 26 de outubro a sessão plenária convocada a pedido do Presidente do país para votar sobre um eventual apoio militar à Arábia Saudita, face aos ataques dos huthis do Iémen.
A Câmara dos Representantes egípcia indicou num breve comunicado que adiou “até à próxima segunda-feira a sessão em que será debatido o pedido de autorização ao Presidente [Abdel Fattah al-Sisi] para prestar apoio à Arábia Saudita”.
O Parlamento, presidido por Hisham Badawi, já realizou uma sessão plenária no domingo em resposta ao pedido do chefe de Estado, mas, após mais de duas horas de debates cujos detalhes ainda não foram divulgados, decidiram adiar a votação para hoje.
Em resposta, o presidente do Parlamento controlado pelos rebeldes huthis, Yahya Ali al Raai, advertiu o Egito contra qualquer intervenção militar no Iémen.
Numa “carta urgente” assinada pelos membros do Parlamento huthi e enviada ao presidente do Parlamento egípcio, Al Raai alertou que uma intervenção do Egito no Iémen “representará um grave perigo para a sua segurança nacional e estabilidade interna”, bem como para a estabilidade regional.
Além disso, manifestou a sua preocupação com a possibilidade de o Egito apoiar militarmente a Arábia Saudita, país que tem estado sob fogo huthi nos últimos meses e cujas instalações energéticas e civis — incluindo os seus aeroportos — têm sido alvo de ataques que causaram dezenas de mortos e feridos em apenas algumas semanas.
“Rejeitamos categoricamente arrastar o Egito árabe e histórico para uma batalha que não reflete os seus valores”, afirmou Al Raai, após argumentar que o Cairo não deveria aliar-se às forças que lutam contra o Iémen, apesar de o exército egípcio ter feito parte da coligação militar liderada por Riade que intervém contra os huthis desde 2015.
Apesar de ainda se desconhecerem os pormenores da proposta que será submetida a votação, alguns analistas e meios de comunicação árabes e egípcios sugerem que o pedido poderá incluir a mobilização de sistemas de defesa aérea e caças, juntamente com os respetivos operadores e técnicos, e até mesmo um possível envio de tropas.
A única informação oficial sobre esta proposta foi o que Al-Sisi afirmou no sábado, quando declarou que o Egito adotará todas as medidas necessárias para defender Riade e solicitou ao Parlamento que convocasse uma sessão extraordinária para debater um eventual apoio defensivo.
O artigo 152.º da Constituição egípcia estipula que o Presidente da República, que é simultaneamente o comandante supremo das Forças Armadas, não pode declarar guerra nem mobilizar o exército para missões de combate fora das fronteiras do país sem consultar previamente o Conselho de Defesa Nacional e obter a aprovação da Câmara dos Representantes por maioria de dois terços.
Alguns deputados egípcios já manifestaram dúvidas sobre este pedido e, no domingo, o Partido Social-Democrata egípcio afirmou num comunicado que se absterá, justificando que, embora a sua solidariedade para com o reino saudita e os países árabes seja “inabalável”, considera que “salvaguardar a segurança nacional egípcia exige objetivos claros”.
Por seu lado, o deputado independente Mostafa Bakry afirmou hoje, numa mensagem na rede social X, que “a dissuasão é um fator importante para alcançar uma solução política para as crises”, depois de ter salientado que o Egito está a envidar “esforços intensos para alcançar uma solução política para a crise iemenita”.
Estes desenvolvimentos surgem depois de, em meados de setembro, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, ter efetuado uma visita relâmpago ao Egito para se reunir com Al-Sisi, com quem concordou que “as circunstâncias atuais exigem uma maior solidariedade e coordenação entre ambos os países, uma vez que os seus interesses e objetivos coincidem”.
A Arábia Saudita é um dos principais aliados do Egito no Médio Oriente e o principal pilar de apoio económico.
Os confrontos entre os huthis e as forças governamentais iemenitas – apoiadas pela Arábia Saudita – pôs termo ao acordo de cessar-fogo de 2022 e que tinha, em grande parte, parado os combates na guerra civil iemenita.
A Arábia Saudita tem sido amplamente visada pelos ataques dos rebeldes xiitas pró-Irão, que têm afetado aeroportos, centrais petrolíferas e outras infraestruturas em território saudita.

