O Governo israelita anunciou a retoma gradual da entrada de mercadorias na Faixa de Gaza, após quatro dias de suspensão, acusando o Hamas de extorquir comerciantes.
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19/10/2026
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Lusa
O Governo israelita anunciou hoje a retoma gradual da entrada de mercadorias na Faixa de Gaza, após quatro dias de suspensão, depois de ter acusado o movimento islamista palestiniano Hamas de extorquir comerciantes.
A Coordenação das Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT), organismo israelita responsável pelas atividades nos territórios palestinianos ocupados, afirmou que o Hamas “suspendeu os seus mecanismos fiscais e as suas ameaças”, numa referência à taxa de 10.000 shekels, cerca de 2.800 euros, exigida pelo movimento islamista palestiniano por cada camião que entrava no território.
Na passada quinta-feira, quando a COGAT acusou pela primeira vez o Hamas de praticar a “extorsão”, o movimento palestiniano respondeu que o montante correspondia a uma “iniciativa comunitária voluntária”, na qual “participam empresários para um fundo nacional cujos recursos se destinam integralmente a apoiar os grupos mais vulneráveis, bem como a projetos de habitação, saneamento e ajuda humanitária”.
Entretanto, depois de confirmar que o Hamas tinha deixado de exigir esta taxa, “os comerciantes voltaram a apresentar os seus pedidos para retomar a coordenação com Israel com vista à entrada de mercadorias em Gaza”.
“A retoma da coordenação está a decorrer em conformidade com o compromisso de Israel em relação às disposições humanitárias do acordo de cessar-fogo”, confirmou a COGAT, enquanto órgãos de comunicação social palestinianos, como a agência Sanad, indicam que os camiões começarão a entrar em Gaza a partir de terça-feira.
A COGAT, contudo, mantém reservas, considerando que “as declarações dos comerciantes, por si só, não constituem uma verificação”, razão pela qual o organismo, dependente do Ministério da Defesa israelita, sublinhou o caráter “gradual” da reabertura.
Israel advertiu, ainda assim, que qualquer comerciante que tenha efetuado pagamentos ao Hamas verá revogada a autorização para operar ao abrigo do mecanismo de entrada de mercadorias na Faixa de Gaza.
A decisão surge no mesmo dia em que o Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou que vai precisar de reduzir as suas operações humanitárias na Faixa de Gaza por falta de recursos, deixando mensalmente 500 mil palestinianos sem ajuda.
A organização fez ainda um apelo, através de um comunicado, para que o mundo não “desvie o olhar” do enclave devastado pela guerra.
“As famílias […] vivem em condições humanitárias extremamente difíceis”, apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo há um ano, declarou à agência de notícias France-Presse (AFP) Shaun Hughes, diretor do PAM nos territórios palestinianos.
A ofensiva israelita no enclave palestiniano teve início após o ataque do grupo islamista palestiniano Hamas contra Israel, em 07 de outubro de 2023.
Cerca de 1,4 milhões de pessoas, de um total de 2,1 milhões de habitantes, “encontram-se ainda numa situação de insegurança alimentar aguda e necessitam de ajuda humanitária para sobreviver”, afirmou Hughes, falando a partir dos escritórios da agência da ONU em Beit Hanina, um bairro de Jerusalém Oriental.

