O líder do partido Yashar!, Gadi Eisenkot, que procura substituir Benjamin Netanyahu na chefia do governo em Israel, disse hoje que pretende “renovar e reforçar” as relações com os Estados Unidos, no seguimento das eleições parlamentares nos dois países.
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04/11/2026
por
Lusa
O líder do partido Yashar!, Gadi Eisenkot, que procura substituir Benjamin Netanyahu na chefia do governo em Israel, disse hoje que pretende “renovar e reforçar” as relações com os Estados Unidos, no seguimento das eleições parlamentares nos dois países.
Numa rara declaração em inglês dirigida a “todos os amigos nos Estados Unidos e em todo o mundo”, o ex-chefe das forças armadas procurou apresentar-se como um parceiro de confiança de Washington, o principal aliado de Israel, que realizou eleições legislativas no passado dia 27 de outubro.
Os resultados deixaram o país num impasse político e sem um nome ainda para liderar o futuro executivo, enquanto, nos Estados Unidos, a oposição democrata garantiu o controlo das duas câmaras do Congresso, nas eleições intercalares realizadas na terça-feira.
A aliança entre Estados Unidos e Israel está a ser posta em causa por vários políticos democratas, devido à devastadora ofensiva israelita na Faixa de Gaza, em resposta aos ataques do grupo islamita Hamas, em 07 de outubro de 2023.
Neste contexto, a vitória dos democratas norte-americanos causa preocupação em Israel, onde a oposição acusa Netanyahu de ter enfraquecido as relações com Washington.
“Sob a minha liderança, renovaremos e reforçaremos esta parceria e consolidaremos as bases bipartidárias que a sustentam há muito tempo”, disse Eisenkot.
O vínculo entre Israel e os Estados Unidos “é mais do que uma aliança entre governos, é uma parceria entre povos, construída ao longo de gerações e assente em valores democráticos partilhados”, acrescentou.
Embora o Presidente norte-americano, Donald Trump, tenha declarado publicamente o seu apoio a Netanyahu antes das eleições em Israel, Eisenkot afirmou também estar “ansioso por trabalhar de forma próxima e construtiva” com o líder da Casa Branca, para “fortalecer a estabilidade regional” no Médio Oriente.
“Israel continuará a ser um dos parceiros estratégicos mais fiáveis e capazes dos Estados Unidos no Médio Oriente, uma parceria mutuamente benéfica para ambos os povos”, prosseguiu o dirigente do Yashar!.
Estas declarações surgem depois de Donald Trump ter anunciado o fim iminente da ajuda anual de 3,8 mil milhões de dólares (cerca de 3,3 mil milhões de euros) dos Estados Unidos à segurança israelita através da compra de armas.
A assistência de Washington começou em 2019, com uma duração de dez anos. O acordo tinha sido assinado três anos antes pelo ex-Presidente democrata Barack Obama.
No rescaldo das legislativas em Israel, nem o bloco dos partidos que apoiam Netanyahu nem a oposição judaica, que se uniu depois da votação à volta do nome de Eisenkot para liderar o executivo, conseguiu maioria absoluta no parlamento.
As duas forças árabes emergiram como potencialmente decisivas, ao conseguirem um resultado recorde de 19 deputados, mas o seu apoio não é consensual entre a oposição sionista.
O Presidente israelita iniciou hoje consultas com os partidos, numa série de reuniões que se prolonga na quinta-feira, e está ainda em aberto se vai convidar Netanyahu ou Eisenkot para formar governo.
O atual chefe do executivo defende a criação de um “governo de unidade nacional”, agrupando as forças judaicas, enquanto o antigo general procura um executivo de “emergência nacional”, sustentado pela oposição e sem Netanyahu.

