Espanha volta a negar amnistia a Puigdemont apesar de aval europeu

Espanha volta a negar amnistia a Puigdemont apesar de aval europeu

O Tribunal Supremo de Espanha voltou hoje a recusar a amnistia ao ex-presidente do governo catalão Carles Puigdemont, assim como levantar a ordem de detenção em território nacional de que o dirigente separatista é alvo.

© Lusa


15/09/2026
por

Lusa

A decisão do Supremo espanhol surge depois de em 16 de julho o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) ter dado aval à lei de amnistia de independentistas da Catalunha aprovada pelo Parlamento de Espanha em 2024.

 

O TJUE considerou que a amnistia respeita o direito comunitário, que não houve lesão da aplicação de fundos europeus e que “tem por objeto reduzir tensões institucionais e políticas e facilitar um cenário de reconciliação”.

O tribunal europeu respondeu assim, com duas sentenças, às questões levantadas por algumas instâncias espanholas relativamente à lei.

Em comunicado, o Tribunal Supremo justificou que o juiz Pablo Llanera mantém a recusa de amnistia a Carles Puigdemont por causa da acusação de peculato de que é alvo o antigo presidente regional, com o magistrado a dizer que tem “duas razões”: “o propósito de obtenção de um benefício pessoal de caráter patrimonial” e possível lesão dos “interesses financeiros da União Europeia”.

“A sentença do TJUE impede manter a segunda das razões para excluir a aplicação da amnistia”, mas “não modifica” a primeira, ou seja, o objetivo de “obter um benefício pessoal de caráter patrimonial” , lê-se no comunicado do Supremo, com os argumentos do juiz.

A lei de amnistia estabelece que não se aplica a crimes de peculato quando houve “propósito de obter um benefício pessoal de caráter patrimonial” e é esta a justificação usada pelo juiz para recusar a aplicação a Puigdemont, naquilo que os advogados do dirigente independentista têm considerado uma “grotesca arbitrariedade” do magistrado.

A amnistia já foi aplicada a cerca de 300 pessoas por várias instâncias judiciais espanholas.

O próprio Supremo aplicou pela primeira vez a lei a em julho, na sequência da sentença do TJUE.

O Supremo continua, porém, sem amnistiar os principais dirigentes políticos da tentativa de autodeterminação da Catalunha que culminou com a realização de um referendo ilegal e uma declaração unilateral de independência em outubro de 2017, quando o executivo regional era presidido por Carles Puigdemont, do partido Juntos pela Catalunha (JxCat, conservador), e tinha como ‘número dois’ Oriol Junqueras, da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC).

Puigdemont vive na Bélgica desde 2017 para escapar à justiça espanhola e Junqueras foi detido e condenado, tendo passado pela prisão.

Os dirigentes que continuam a ver recusada a amnistia recorreram das decisões do Supremo para o Tribunal Constitucional, que prevê analisar os casos a partir de 22 de outubro.

Em resposta a recursos relacionados com partes da lei, apresentados por várias entidades, como partidos políticos ou governos regionais, o Tribunal Constitucional espanhol já aprovou a amnistia, considerando-a legal e conforme a Constituição espanhola.

A lei de amnistia, aprovada pelo parlamento nacional de Espanha em 2024, foi uma exigência da ERC e JxCat para viabilizarem o atual Governo espanhol, do socialista Pedro Sánchez, em novembro de 2023.

Depois do aval do TJUE de julho passado, o Governo de Espanha e vários partidos pediram aos juízes do país que apliquem plenamente e “o mais depressa possível” a lei, considerando que se esgotou o debate do ponto de vista jurídico.

Amnistiado primeiro membro de governo catalão de Puigdemont

Um antigo elemento do governo regional da Catalunha liderado pelo separatista Carles Puigdemont foi pela primeira vez amnistiado pela justiça de Espanha, ao abrigo da lei aprovada pelo parlamento nacional em 2024.

Lusa | 09:33 – 28/07/2026

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.