Todos os dias há quem enfrente longas filas de trânsito para chegar ao trabalho e/ou ir para casa. A rotina afeta não apenas os níveis de stress – quem nunca se irritou na estrada? – como também o cérebro, conforme indicam neurologistas.
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04/08/2026
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A perda de audição está associada a alterações na saúde cerebral. Mesmo quando se trata de uma perda ligeira, regista-se um aumento do risco de redução do volume cerebral e da demência, conforme destaca um artigo do EatingWell.
Embora a exposição a sons demasiado elevados que algumas profissões implicam, a verdade é que os ruídos do dia a dia, como o trânsito, também podem afetar a audição e expor o cérebro a um stress crónico.
De que forma o barulho do trânsito pode estar a envelhecer o cérebro
1. Aumenta os níveis de stress
Morar ou trabalhar numa área com trânsito intenso poderá expor o seu corpo a uma fonte constante de stress.
“O barulho persistente aumenta as hormonas de stress, como o cortisol, promove a inflamação e pode contribuir para a ativação crónica da micróglia”, realça o médico David Perlmutter.
Embora ruídos de elevada intensidade, como um avião a descolar a ou buzina de um carro, possam desencadear diretamente a resposta ao stress, mesmo níveis de sons mais baixo pode gerar stress indiretamente no corpo.
Com o tempo, isto pode dificultar a entrada do cérebro num estado restaurador. “Quando estas células permanecem num estado inflamatório prolongado, tornam-se menos eficazes na proteção e reparação do cérebro, aumentando assim a vulnerabilidade a doenças neurodegenerativas”.
2. Pode causar perda de audição ao longo do tempo
Embora ruídos excessivamente altos possam causar danos na audição, a exposição repetida a ruídos moderadamente altos, incluindo o trânsito, também pode danificar as células dos ouvidos.
Constatou-se que pessoas que ouviam com frequência barulho de trânsito apresentavam mais danos auditivos do que aqueles expostas a níveis mais baixos.
Pesquisas recentes relacionam essa perda auditiva com um declínio precoce na memória e nas capacidades cognitivas. Esta aceleração do envelhecimento cerebral deve-se ao aumento do esforço a que o cérebro é submetido ao tentar interpretar os estímulos sonoros à sua volta.
Prejudica o sono
Dormir o suficiente e com qualidade é essencial para a saúde do cérebro. Se mora perto de áreas com trânsito intenso podem até nem se aperceber da forma como esse barulho atrapalha o seu sono.
“Isto é preocupante, porque é durante o sono profundo que o cérebro elimina os resíduos metabólicos através do sistema linfático (a via de eliminação de resíduos no cérebro), consolida as memórias e reinicia a função imunológica”, sublinha Perlmutter.
“A privação crónica de sono tem sido associada a um pior desempenho cognitivo e a um risco maior de doença de Alzheimer e outras formas de demência”.
Está associado a uma saúde cardiovascular precária
Além do impacto que pode ter na saúde do cérebro, o barulho afeta indiretamente o sistema cardiovascular, responsável por fornecer oxigénio e nutrientes ao cérebro e por ajudar na remoção de resíduos.
“A exposição prolongada ao ruído do tráfego tem sido associada ao aumento da pressão arterial, resistência à insulina e disfunção vascular”, sublinha Perlmutter.
Estes efeitos estão relacionados com o aumento nos marcadores do stress oxidativo que influenciam a função dos vasos sanguíneos e a inflamação no corpo.
“Como o cérebro depende de vasos sanguíneos saudáveis e de um metabolismo energético eficiente, estes efeitos subsequentes podem aumentar ainda mais o risco de declínio cognitivo”, completa.
Formas de proteger o seu cérebro
Por vezes, dependendo da área em que se vive, escapar ao barulho pode ser impossível. Assim sendo, há várias dicas que poderão seguir para proteger o seu cérebro.
– Usar proteção auricular;
– Ouvir ruído branco;
– Passar tempo em espaços verdes;
– Manter laços sociais;
– Adotar uma dieta rica em nutrientes;
– Praticar atividade física regularmente;
– Priorizar uma rotina de sono.

