A estudante condenada a sete anos e nove meses de prisão por fazer ciberbullying a várias colegas da Universidade de Lisboa, terá feito novas vítimas enquanto decorria o julgamento e mesmo já depois de ser condenada. O novo processo identifica sete vítimas mas poderão ser dezenas.
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13/10/2026
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A universitária condenada a sete anos e nove meses de prisão por fazer ciberbullying a várias colegas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa, terá continuado com a atividade criminosa durante o julgamento e mesmo após ser condenada.
De acordo com a CNN Portugal, que avança com a informação, a arguida, que em breve terá de se entregar à prisão para cumprir pena, é suspeita de num novo processo.
As autoridades identificaram sete novas vítimas diretas. As indiretas são dezenas.
Conta a estação televisiva que a universitária terá inventado a morte de mais uma jovem e conseguido que acreditassem que a mesma se “dedicava à prostituição de luxo”.
O pai falou do pesadelo que toda a família vive desde 2023, ano em que a filha começou a ser atormentada pela estudante, entretanto, condenada.
A situação é tão complicada, conta o homem, sob anonimato, que a condenada “chegou ao ponto de fazer circular a falsa notícia da morte de uma das minhas filhas, levando amigos e conhecidos a acreditar que tinha falecido”, assim como entidades oficiais de outros países.
Hoje em dia, “em casa, cada notificação no telemóvel pode ser mais uma má notícia”. A família “foi obrigada a recorrer a acompanhamento psicológico e psiquiátrico”.
Apesar de não saber porque é que a jovem decidiu atacar a filha, o homem não tem dúvidas que o propósito “era denegrir por completo a imagem da família”. A jovem partilhou “fotografias manipuladas de cariz pornográfico” da filha, insinuando que se dedicava à “prostituição de luxo” e fez diversas “acusações dirigidas à família de fuga ao fisco e exportações ilegais para Portugal”, crimes que nunca terão acontecido.
A família entregou as provas ao Ministério Público (MP) e contratou um advogado. Três anos (e uma condenação) depois, ainda esperam por Justiça e que o sofrimento provocado tenha um ponto final.
“Se não a pararem, ela não vai parar”
Mas não é caso único. Em 2024, estava a universitária a ser julgada, quando começou a acossar uma outra jovem.
À CNN Portugal, esta admitiu sentir um “desespero total” com a situação. Apresentou queixa, mas enquanto a arguida não entrar na prisão não fica descansada.
“Se ela for presa, não tem acesso à tecnologia.”, disse, lamentando o facto desta não ter sido ainda parada. “Se não a pararem, ela não vai parar [….]. Aquela mulher é louca”, atirou.
O motivo da escolha das vítimas permanece envolto em mistério. Porém, há traços comuns em todas elas: são jovens, estudantes, simpáticas e bonitas.
Das mensagens intimidatórias ao obituário
No julgamento que culminou com a sua condenação, ficou provado que a universitária atormetou várias colegas, principalmente uma a quem torturou durante dois anos.
A essa jovem, a ré criou contas falsas nas redes sociais, na aplicação de encontros Tinder e simulou interesses em homens. Enviou milhares de e-mails, de mensagens perturbadoras, tentou aceder a todas as contas pessoais da mesma. Exigiu (centenas de vezes) que desistisse da licenciatura na qual tinha acabado de entrar, divulgou imagens no instituto onde ambas estudavam e por escolas de onde a vítima era natural, fez encomendas em sex shops, restaurantes e lojas de beleza em nome da mesma e até marcou consultas médicas falsas.
Na universidade onde as duas andavam, todos sabiam o que se passava. Nem a mãe, a tia ou o irmão da vítima escaparam à perseguição. A universitária condenada chegou mesmo a fazer um obituário da jovem atacada, enviando-o para várias pessoas e instituições.
Recorreu sempre. Agora terá de cumprir pena
Em 2025, a arguida foi condenada, pelo processo iniciado em 2019. A ré recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa, depois para o Supremo Tribunal de Justiça e, ainda, para o Tribunal Constitucional, uma vez que nenhuma das decisões lhe foi favorável.
Esta última decisão do Tribunal Constitucional, de não aceitar o seu recurso, nem a sua reclamação, vai fazer com que o processo seja remetido ao Tribunal da Relação e, daí, desça para a primeira instância, que deverá fazer cumprir a condenação.
A mulher tem agora de se apresentar no estabelecimento prisional para cumprir a pena. Ao Correio da Manhã, o advogado garantiu que antes do prazo final, a cliente irá entrar na cadeia pelos próprios meios. “Ela quer encerrar este capítulo”, assegurou.
Recorde-se que a universitária foi condenada a sete anos e nove meses de prisão pelos crimes de perseguição, falsidade informática e denúncia caluniosa. A pena acabou por ser reduzida em um ano na sequência da amnistia concedida por ocasião da visita do Papa Francisco a Portugal.

