O europeísta Luca Niculescu, sem filiação partidária, tomou posse como primeiro-ministro da Roménia, liderando um Governo de sociais-democratas e independentes que põe fim a seis meses de paralisia institucional.
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20/10/2026
por
Lusa
O europeísta Luca Niculescu, sem filiação partidária, tomou hoje posse como primeiro-ministro da Roménia, à frente de um Governo composto por sociais-democratas e independentes, que põe fim a quase seis meses de paralisia institucional.
Jornalista e diplomata, Niculescu, de 55 anos, recebeu do Presidente do país, Nicusor Dan, a incumbência de formar Governo, após o fracasso de três candidatos anteriores desde a queda, em maio, da coligação de quatro partidos liderada pelo liberal Ilie Bolojan, através de uma moção de censura.
“Um homem cujo trabalho consiste em harmonizar posições” – assim o apresentou o chefe de Estado romeno ao anunciar, a 05 de outubro, a sua nomeação para o cargo, com a missão direta de formar um executivo de coligação que garantisse a firme orientação euro-atlântica do país, mantendo na oposição os ultranacionalistas e os grupos pró-Rússia.
Depois de consolidar uma imagem de mediador hábil, conseguiu conquistar um amplo apoio parlamentar e ultrapassar a grave crise política que se arrastava desde maio: o novo Governo, constituído por 12 ministros do PSD e seis independentes, foi aprovado no parlamento de Bucareste – que conta com 464 lugares – com 280 votos a favor e 58 contra.
Jornalista de formação que se reinventou como diplomata, Niculescu chega à chefia do Governo procedente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde desempenhava as funções de secretário de Estado responsável pela coordenação e conclusão, este ano, do processo de adesão da Roménia à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Nessa função, e mantendo o seu estilo discreto, negociou, com ministérios e instituições públicas, as reformas necessárias para cumprir as exigências da organização internacional com sede em Paris.
Anteriormente, entre 2016 e 2022, foi embaixador da Roménia em França, exercendo simultaneamente a representação diplomática do país junto de Andorra e do Mónaco.
Durante a sua permanência na capital francesa, desempenhou ainda funções de representante da Roménia na Organização Internacional da Francofonia (OIF) e presidiu ao Grupo de Embaixadores Francófonos em França, assegurando uma sólida rede de contactos internacionais.
Nascido em Bucareste em 1971, a sua infância foi marcada pela história da sua própria família, expropriada dos bens e alvo de perseguição política durante o regime comunista.
Apesar das dificuldades da época, cresceu num lar onde se falava francês e alemão, além de romeno, rodeado de “livros e quadros”, segundo relatou numa entrevista ao diário Adevaul.
Após a queda da ditadura de Nicolae Ceaușescu, em 1989, optou por permanecer na Roménia para participar ativamente no processo de democratização.
“Pareceu-me muito interessante o que estava a acontecer no país e quis fazer parte dessa mudança. De alguma forma, sempre acreditei que o meu lugar era aqui”, afirmou.
Niculescu licenciou-se em 1995 na Faculdade de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade de Bucareste e, posteriormente, concluiu o mestrado em Jornalismo Europeu no Centro Universitário de Formação Jornalística da Universidade de Estrasburgo, em França.
Ao longo de quase um quarto de século, desenvolveu uma carreira de destaque na comunicação social, destacando-se como uma das vozes de referência na rádio pública RFI Roménia, onde desempenhou funções de direção, e colaborando com a televisão pública e a imprensa escrita.
Agraciado em 2023 com a Legião de Honra francesa, no grau de Comendador, Niculescu assume agora a chefia do Governo da Roménia com o desafio de reduzir o défice orçamental, sem deixar de apoiar a população vulnerável e reforçar a defesa de um dos países mais pobres da União Europeia (UE) e membro da NATO que partilha mais de 600 quilómetros de fronteira com a Ucrânia.

