O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido esta sexta-feira, em Assunção, após ter sido destituído pelo Senado por má execução de funções. O ex-governante é acusado de abuso de confiança e corrupção num escândalo financeiro ligado ao Ueno Bank que afeta metade da população.
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06/11/2026
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Notícias ao Minuto, Lusa
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido, esta sexta-feira, na sequência da sua destituição pelo Senado, após ter sido considerado culpado de “má execução de funções”. A decisão está relacionada com a sua ligação ao banco Ueno, atualmente em crise financeira, cujos efeitos afetam metade da população.
Segundo a imprensa local, o ex-chefe de Estado foi detido pela Polícia Nacional na sua casa, localizada na capital do país, Assunção. O mandado de detenção foi emitido pelo Ministério Público do Paraguai após terem sido encontrados indícios de abuso de confiança e outros crimes praticados por Peña no escândalo bancário que abalou o país.
O caso começou a ser investigado na sequência de uma denúncia apresentada por deputados da oposição, que acusaram o presidente do Paraguai de enriquecimento ilegal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude.
Com o voto a favor dos 44 senadores presentes, Peña, de 47 anos, tornou-se o segundo presidente na história recente do Paraguai a ser afastado do poder através de um processo de impeachment, depois de Fernando Lugo (2008-2012), da esquerda.
O seu sucessor será o até agora vice-presidente, Pedro Alliana.
O agora ex-presidente não compareceu no Senado, apesar de ter sido convocado pessoalmente, e delegou a sua representação nos advogados, Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, que apresentaram a defesa “técnica” e “jurídica” de Peña.
Pouco antes da votação, Peña afirmou na sua conta na rede social X que tinha apresentado a sua demissão para evitar mais danos ao país e contribuir para recuperar a tranquilidade.
“Não quero que a minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. A minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal”, afirmou numa mensagem na qual também apelou aos paraguaios para se unirem e reconstruírem a institucionalidade e recuperarem a confiança.
Presenté mi renuncia para evitar más daño al país y contribuir a devolverle la tranquilidad al Paraguay. No quiero que mi presencia sea motivo de mayor división o inestabilidad. Mi responsabilidad es poner al país por encima de mi destino personal. Hoy nos toca unirnos como paraguayos para reconstruir la institucionalidad y recuperar la confianza. Me despido con gratitud, sin desconocer la angustia de quienes hoy esperan respuestas. Es momento de unir esfuerzos para reconstruir la institucionalidad y atender, con hechos y responsabilidad, a quienes están siendo afectados. Que Dios bendiga al Paraguay.
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 6, 2026
Entenda a crise no Ueno Bank
O Paraguai entrou em crise depois de o Banco Central (BCP) ter ordenado um procedimento de resolução do Ueno Bank, uma instituição com 2,9 milhões de clientes num país de 6,1 milhões de habitantes, que recebeu durante o mandato do agora ex-governante recursos milionários de entidades públicas.
A isto somou-se a preocupação de milhares de aforradores que denunciaram não ter acesso aos seus recursos, entre eles 32.000 aposentados do Instituto de Previdência Social (IPS), uma das principais caixas de pensões do país.
Até os deputados que atuaram como acusadores no julgamento político denunciaram a perda de cerca de 1,2 mil milhões de dólares “do povo paraguaio” após a falência do Ueno Bank, e pediram a condenação do presidente, que qualificaram como “o maior saqueador da história” do país.

