Mélenchon quer legalizar mais imigrantes e sair do comando da NATO

Mélenchon quer legalizar mais imigrantes e sair do comando da NATO

O líder do partido A França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, apresentou um novo programa presidencial com propostas de legalização de imigrantes e saída da NATO.

© Bertrand GUAY / AFP via Getty Images


06/11/2026
por

Lusa

O líder do partido A França Insubmissa (LFI, extrema-esquerda), Jean-Luc Mélenchon, publicou hoje uma nova versão do programa da sua candidatura presidencial, propondo aumentar legalização de estrangeiros e sair do comando da NATO.

 

Mélenchon — que, segundo as sondagens, terá Marine Le Pen, do extremo oposto do espectro político, como principal adversária na corrida ao Palácio do Eliseu — propõe 1.069 medidas caso seja eleito Presidente, incluindo a convocação de uma Assembleia Constituinte para instaurar uma VI República, com maior peso do Parlamento e da “democracia direta”.

“É toda uma nova França que este programa se propõe fundar”, escreve Mélenchon na introdução do programa batizado “O Futuro em Comum”, lançado com uma tiragem inicial de 130 mil exemplares, ao preço de 4,90 euros.

No âmbito migratório, o líder da extrema-esquerda francesa aposta no alargamento da regularização dos estrangeiros em situação ilegal; já no domínio da segurança, propõe uma reforma profunda da polícia, abrangendo tanto a sua organização como o seu funcionamento.

O programa destina, ainda, mil milhões de euros para combater “a islamofobia, o antissemitismo e todas as formas de racismo”.

Na política externa, Mélenchon defende uma França independente e não alinhada, propõe abandonar o comando militar integrado da NATO e reforçar as Nações Unidas.

A apresentação do programa coincide com as negociações para articular alianças à esquerda. Nove dos 17 deputados do grupo comunista e ultramarino na Assembleia Nacional francesa anunciaram, na quinta-feira, o seu apoio a Mélenchon.

Mélenchon defende uma mudança no modelo económico, que define como um “novo coletivismo”.

Numa altura em que o país se debate com um dos maiores défices orçamentais da União Europeia e o aumento da dívida pública, Mélenchon propõe elevar o salário mínimo para 1.700 euros líquidos mensais (atualmente, ronda os 1.500 euros), reduzir o horário de trabalho para as 32 horas semanais e repor o imposto sobre as grandes fortunas.

O programa prevê, ainda, a aplicação da “taxa Zucman” (um imposto mínimo de 2% ao ano sobre o património das pessoas mais ricas — aquelas cuja fortuna ultrapassa os cem milhões de euros) e o alargamento da tributação sobre os rendimentos e as grandes empresas.

No que respeita às pensões, mantém o objetivo de estabelecer a reforma aos 60 anos, após 40 anos de contribuições.

Das 1.069 medidas apresentadas no documento, 238 são novas em relação ao anterior programa levado às últimas eleições presidenciais, ganhas pelo centrista Emmanuel Macron. A apresentação oficial terá lugar sábado em Le Bourget, nos arredores de Paris, num comício liderado por Mélenchon.

A “nova França” refere-se a toda a população francesa, independentemente da sua origem, e está ligada à transformação social e ecológica do país defendida pelo líder político.

Segundo os analistas, a principal alteração em relação ao programa de 2022 é que a agenda ecológica passa a ocupar o primeiro lugar, à frente da reforma institucional e da proposta de instauração de uma VI República.

A LFI mantém o seu objetivo de abandonar progressivamente os combustíveis fósseis e a energia nuclear, mas adia para 2060 — em vez de 2050, como constava no seu programa anterior — a meta de alcançar um sistema baseado inteiramente em energias renováveis.

As medidas incluem ainda a criação de 500 mil empregos no setor agrícola, uma moratória sobre as zonas de baixas emissões e a introdução do delito de “crime climático” para punir as emissões de carbono das empresas.

O programa propõe ainda reduzir em 50% o consumo médio de proteínas animais e estabelecer “ecorregiões” para organizar o planeamento ecológico com base nas bacias hidrográficas.

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