ExxonMobil duplica participação em projeto de gás em Moçambique

ExxonMobil duplica participação em projeto de gás em Moçambique

A ExxonMobil acordou duplicar para 50% a participação no projeto de gás natural liquefeito (GNL) Rovuma LNG, norte de Moçambique, reforçando a aposta naquele que é considerado um dos maiores empreendimentos energéticos em África.

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02/11/2026
por

Lusa

A ExxonMobil acordou duplicar para 50% a participação no projeto de gás natural liquefeito (GNL) Rovuma LNG, norte de Moçambique, reforçando a aposta naquele que é considerado um dos maiores empreendimentos energéticos em África.

 

O anúncio, sem mais detalhes, consta dos resultados do terceiro trimestre de 2026 da petrolífera norte-americana, divulgados na sexta-feira, nos quais a petrolífera norte-americana refere ter “alcançado acordo para aumentar a participação” no projeto de LNG em Moçambique para 50%, onde já é operadora.

A empresa acrescenta que este e outros desenvolvimentos internacionais contribuíram para solidificar a sua posição como operadora de referência em grandes projetos de exploração e produção de hidrocarbonetos.

A operação será concretizada através de uma troca de ativos com a italiana Eni, que receberá outras propriedades na região, mas nenhuma das petrolíferas, que operam no ‘onshore’ (Exxonmobil) e ‘offshore’ (Eni) na bacia do Rovuma, Cabo Delgado, divulgaram os termos financeiros do acordo.

O reforço da participação coloca metade do projeto sob controlo económico da ExxonMobil, aumentando simultaneamente a influência da empresa sobre a futura decisão final de investimento (FID) e a parcela dos custos que terá de suportar no desenvolvimento do empreendimento.

A operação surge numa fase decisiva para o Rovuma LNG, quando a ExxonMobil, enquanto operadora, tem vindo a anunciar desde agosto a adjudicação de vários contratos para a primeira fase do projeto, antes ainda da decisão final de investimento.

O Rovuma LNG é liderado pela ExxonMobil enquanto operadora delegada da Área 4 da Bacia do Rovuma e prevê a construção de instalações de liquefação em terra na península de Afungi, em Cabo Delgado, com capacidade para produzir 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano.

O arranque operacional está projetado para 2031.

A Área 4 já produz gás natural através do projeto Coral Sul FLNG, operado pela Eni, que entrou em funcionamento em 2022 e foi o primeiro empreendimento a exportar GNL de Moçambique. O Coral Sul explora reservas offshore através de uma unidade flutuante de liquefação, enquanto o Rovuma LNG constitui o principal desenvolvimento em terra previsto para a concessão.

A decisão da ExxonMobil de duplicar a sua participação acontece quando os parceiros do projeto – além da Eni também a CNPC (20%), XRG (10%), KOGAS (10%) Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (10%) – apontam ainda para 2026 a tomada da decisão final de investimento e aguardam a aprovação governamental do plano de desenvolvimento, processo que a ExxonMobil também assume estar a evoluir favoravelmente.

Em entrevista à Lusa em julho, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou o Rovuma LNG como “o maior projeto de investimento privado do continente africano”, estimado em cerca de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros).

Segundo projeções anteriormente divulgadas pelos promotores, o empreendimento poderá gerar cerca de 150 mil milhões de dólares (131 mil milhões de euros) em receitas para o Estado moçambicano ao longo de três décadas de operação, além de contribuir com milhares de postos de trabalho e um impacto significativo na economia nacional.

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