Cerca de 70 mil polícias e guardas-civis serão mobilizados para a nova jornada de contestação social marcada para sábado em França, anunciou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
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29/10/2026
por
Lusa
Cerca de 70 mil polícias e guardas-civis serão mobilizados para a nova jornada de contestação social marcada para sábado em França, um “dispositivo excecional” que se manterá, anunciou hoje o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
O destacamento deste “dispositivo excecional” deve-se ao facto de o dia apresentar “um risco muito elevado de perturbações da ordem pública”, acrescentou.
As manifestações contra o elevado custo de vida juntaram centenas de milhares de pessoas no país nos dias 17 e 24 de outubro, tendo-se registado episódios de violência, atos de vandalismo e numerosas pilhagens, sobretudo em Paris e Marselha, à margem dos protestos de 17 de outubro.
Na ocasião, o ministro do Interior francês chegou a apresentar a demissão e a fazer um ‘mea culpa’, reconhecendo uma “perda de controlo” em algumas cidades, mas o Presidente, Emmanuel Macron, não a aceitou.
O esquema de segurança posto em prática a 24 de outubro para proteger os estabelecimentos comerciais e os centros comerciais, adotado em resposta aos “muitos apelos para se proceder a pilhagens que circulam nas redes sociais, será mantido e reforçado”, garantiu Nuñez numa conferência de imprensa.
As manifestações serão autorizadas, mas “não nos centros das cidades, onde há o risco de perturbações da ordem pública”, prosseguiu o ministro.
“Não toleraremos qualquer excesso”, advertiu, prometendo “extrema firmeza”.
Paralelamente, foram detetados nas redes sociais “muitos apelos para concentrações” no sábado à noite, para festejar o Halloween, “procedentes de grupos da ultra-esquerda, a extrema-esquerda radicalizada, e de alguns ‘sites’ da Internet ligados aos coletes amarelos radicalizados”, em “muitas cidades de França”.
Estas convocatórias são acompanhadas de “mensagens que incitam a fazer a revolução, a desencadear uma insurreição” e que “incitam, de forma muito clara, à prática de distúrbios graves”, como “pilhagens e atos de vandalismo”, precisou.
“Essas concentrações serão proibidas pelos autarcas”, sublinhou o ministro.
Além disso, o Halloween não será considerado “um motivo legítimo para ocultar o rosto em espaços públicos, para cometer atentados à ordem pública”, avisou.
“O dia 31 de outubro apresenta (…) um risco muito elevado de perturbações da ordem pública” e, “tem, sob muitos aspetos, um caráter atípico”, considerou Laurent Nuñez.

