María Corina Machado nega contactos com Delcy Rodríguez

María Corina Machado nega contactos com Delcy Rodríguez

A líder opositora Maria Corina Machado descartou hoje quaisquer contactos com o executivo de Delcy Rodríguez, reafirmando como prioridade absoluta o desmantelamento do sistema repressivo e a libertação de todos os presos políticos.

© MARTIN BERNETTI / AFP via Getty Images)


29/10/2026
por

Lusa

A líder opositora Maria Corina Machado descartou hoje quaisquer contactos com o executivo de Delcy Rodríguez, reafirmando como prioridade absoluta o desmantelamento do sistema repressivo e a libertação de todos os presos políticos.

 

Durante uma conferência de imprensa em Caracas, a opositora defendeu a total transparência nos acordos energéticos, destacando a cooperação e os interesses mútuos com os Estados Unidos, exigiu a atualização imediata do registo eleitoral para assegurar as próximas eleições presidenciais e reiterou que a prioridade máxima continua a ser a garantia de liberdade e justiça no país.

“Sobre uma reunião com a senhora Delcy Rodríguez, não. Não recebi nenhuma mensagem, nem dos Estados Unidos, nem de parte da senhora Rodríguez”, afirmou.

Maria Corina Machado falava aos jornalistas após ter regressado ao país, no domingo, depois de, em dezembro de 2025, ter saído clandestinamente da Venezuela para receber o Prémio Nobel da Paz.

“Os que destruíram aquela que foi uma das nações não apenas das mais ricas deste hemisfério, mas também com uma das democracias mais estáveis, que transformaram a Venezuela num refúgio para grupos criminosos e a máfia internacional, que expulsaram mais de 9 milhões de venezuelanos, destruíram famílias e as submeteram à fome, à humilhação e ao sofrimento, dizem agora que vão construir um sistema onde haja justiça. Nós, os venezuelanos, já aprendemos, já sabemos quem é quem, sabemos o que queremos e o que não queremos”, frisou.

A líder opositora considerou que no poder continua o “sistema de repressão” que obrigou milhares de venezuelanos a esconder-se e a abandonar o país, “que raptou milhares de cidadãos, torturou e assassinou”.

“É evidente que foram dados passos muito importantes e eu não estaria aqui hoje se isso não tivesse acontecido, mas essas pessoas continuam lá e a sua capacidade de retaliação continua a ser uma preocupação para a sociedade venezuelana”, sublinhou.

E por isso, avançou, “o desmantelamento total do sistema repressivo é uma prioridade”, que “a libertação de todos os presos políticos, civis e militares, é uma prioridade absoluta”.

Apontando os EUA como o principal aliado no setor energético e defendeu um plano estruturado em cinco pilares fundamentais: uma legislação clara e transparente que permita a abertura de todo o setor energético ao investimento privado nacional e internacional, e a criação de uma Agência Nacional de Hidrocarbonetos com absoluta autonomia face ao governo nacional.

Também um processo de licitações públicas estritamente transparente, sem atribuições diretas; um sistema fiscal competitivo que permita antecipar taxas com base no preço do petróleo; e a incorporação do arbítrio internacional nos contratos para assegurar a proteção total da propriedade privada.

Para a líder opositora, o futuro institucional da Venezuela exige a designação de um novo Supremo Tribunal de Justiça, a nomeação de um novo Conselho Nacional Eleitoral e a fixação da data para as eleições presidenciais, além de debater temas constitucionais como o fim da reeleição indefinida.

“Vamos garantir que todos os venezuelanos, dentro e fora do país, com direito de voto, possam fazê-lo nas próximas eleições presidenciais. É preciso começar já a atualização e a depuração do registo eleitoral”, disse.

María Corina Machado, de 59 anos, venceu as eleições primárias da oposição venezuelana em 2023, mas foi impedida de concorrer às presidenciais de julho de 2024, tendo apoiado o candidato Edmundo González Urrutia.

Na altura, a oposição contestou a reeleição de Nicolás Maduro, alegando que os resultados recolhidos pelas suas estruturas eleitorais davam a vitória a Urrutia.

Juiz Alvin Hellerstein, responsável por caso de Maduro, morre aos 92 anos

O juiz Alvin K. Hellerstein, responsável pelo processo penal contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, morreu aos 92 anos, segundo o Tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque.

Notícias ao Minuto, Lusa | 18:59 – 28/10/2026

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