O líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, a intervenção urgente na situação dos sete presos políticos sarauís detidos em Marrocos, que iniciaram uma greve de fome para protestar contra as condições de encarceramento.
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15/10/2026
por
Lusa
O líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, pediu hoje ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para intervir urgentemente na situação dos prisioneiros sarauís detidos em Marrocos.
Na mesma carta, a Frente Polisário, que luta pela determinação dos territórios ocupados por Marrocos, pediu a libertação imediata de sete prisioneiros, na maior parte estudantes além do presidente da Associação para a Proteção dos Prisioneiros Sarauís.
Ghali salientou, no mesmo documento dirigido a António Guterres, que é dever das Nações Unidas proteger os sarauís das “práticas repressivas e de retaliação do Estado ocupante (Marrocos)”, no Saara Ocidental.
Para a Frente Polisário, o território que foi colónia espanhola, é da responsabilidade direta da ONU, visto que permanece como a última questão pendente de descolonização no continente africano.
Desta forma, Ghali manifestou profunda “preocupação e alarme” face à situação dos prisioneiros sarauís em Marrocos que iniciaram uma greve de fome no dia 23 de setembro para protestar contra as condições do encarceramento.
O líder da Frente Polisário denunciou ainda a “repressão brutal” contra o protesto realizado a 12 de outubro na capital de Marrocos, Rabat — no qual participaram familiares dos reclusos e simpatizantes.
O dirigente sarauí frisou que os prisioneiros devem dispor das “condições e garantias estabelecidas nas convenções internacionais, incluindo o acesso dos prisioneiros a cuidados médicos e à comunicação, bem como a transferência para locais mais “próximos das residências no Saara Ocidental ocupado”.
Na passada terça-feira, a Frente Polisário colocou em dúvida a imparcialidade do enviado da ONU para o Saara Ocidental, Staffan De Mistura, que acusou de “comprometer seriamente o mandato” ao apoiar o plano de autonomia marroquino como base para futuras conversações.
A Polisário referiu declarações feitas por De Mistura durante consultas privadas do Conselho de Segurança sobre a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO), realizadas a 08 de outubro.
Segundo o jornal marroquino Le360, De Mistura apontou explicitamente, pela primeira vez, a recusa da Polisário em considerar seriamente o plano de autonomia marroquino como um obstáculo significativo ao avanço do processo político, após as rondas de conversações realizadas este ano em Madrid e Washington.
O Conselho de Segurança, por sua vez, prepara-se para analisar a renovação do mandato da MINURSO, que termina a 31 de outubro.
A Resolução 2797 apoia as negociações sob os auspícios das Nações Unidas, baseadas na proposta de autonomia marroquina, com o objetivo de alcançar uma solução política definitiva e aceitável.
Marrocos ocupou o Saara Ocidental em novembro de 1975.

