O governador da Bahia denunciou entraves ao voto na eleição presidencial e disponibilizou polícias para conduzir autocarros em Salvador, após reclamações de falta de transporte.
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25/10/2026
por
Lusa
O governador da Bahia denunciou uma tentativa de impedir a população de votar hoje na segunda volta das presidenciais brasileiras e disponibilizou polícias para conduzir autocarros na capital, Salvador, após queixas de falta de transporte.
A intervenção do governador, do Partido dos Trabalhadores (PT), surge depois de a Federação Brasil da Esperança, que reúne o PT e outros partidos de esquerda, ter denunciado à Justiça Eleitoral uma redução superior a 50% dos autocarros em circulação na capital baiana.
“Como governador, coloco a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública à disposição para identificar policiais com habilitação categoria D, aptos a dirigir os ónibus [autocarros], se necessário”, afirmou o governador Jerónimo Rodrigues, nas redes sociais.
O TRE-BA determinou que a Prefeitura de Salvador e as empresas de ônibus coloquem toda a frota da capital nas ruas, sob multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. Como governador, coloco a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública à disposição para identificar policiais com habilitação categoria D, aptos a dirigir os ônibus, se necessário. Não vou aceitar o que estão fazendo com a população baiana, tentando impedir que as pessoas exerçam seu direito ao voto. Vamos garantir que o povo tenha condições de votar!
— Jerônimo Rodrigues (@Jeronimoba13) October 25, 2026
“Não vou aceitar o que estão fazendo com a população baiana, tentando impedir que as pessoas exerçam seu direito ao voto. Vamos garantir que o povo tenha condições de votar!”, acrescentou.
A Prefeitura de Salvador, equivalente à Câmara Municipal em Portugal, é liderada por Bruno Reis, do União Brasil, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro nesta segunda volta.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou poucas tempo depois da denuncia, o restabelecimento imediato da totalidade da frota e fixou uma multa de um milhão de reais (179 mil euros) por hora de incumprimento para o município e e empresas responsáveis pelo serviço.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Mobilidade divulgadas pelo portal g1 e reproduzidas pela imprensa local, pelo menos 75 autocarros foram impedidos de sair das garagens.
Segundo a imprensa brasileira, que secunda o número, os autocarros ficaram retidos em garagens de Salvador para a retirada de autocolantes de apoio a Lula da Silva, com o número 13.
A retenção dos autocarros provocou queixas de passageiros nas paragens, nos terminais e nas redes sociais.
A Bahia e o conjunto do Nordeste constituem tradicionais bastiões eleitorais de Lula. Na primeira volta, o Presidente obteve 5,66 milhões de votos na Bahia, contra 2,44 milhões de Flávio Bolsonaro.
Nos nove estados do Nordeste, onde venceu em todos, Lula somou 21,49 milhões de votos, contra 10,40 milhões de Flávio.
Todas as assembleias de voto no país abriram às 08:00 de Brasília (11:00 em Lisboa) e encerram às 17:00 (20:00 em Lisboa), mantendo o horário unificado adotado em 2022, apesar dos diferentes fusos horários brasileiros.
Os mais de 158,7 milhões de eleitores poderão votar até às 17:00 de Brasília (20:00 em Lisboa) nas cerca de 564.000 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.
Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
Os dois estão tecnicamente empatados nas sondagens, retrato de um país dividido ao meio.
Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, de esquerda, e antigo sindicalista, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal e apoiado pela direita, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o ex-operário que tenta agora derrotar.

