Quatro partidos da oposição denunciaram que que o Governo do Equador pretende “remover os seus adversários mais fortes das urnas” nas eleições municipais de novembro através de ações que consideram parte de uma perseguição política.
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25/08/2026
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Lusa
“A perseguição daqueles que pensam de forma diferente do regime atual tem sido uma constante nos últimos meses”, disse o presidente do Partido Socialista Equatoriano (PSE), Gustavo Vallejo.
O dirigente falava durante uma conferência de imprensa, ao lado de outros movimentos que apoiam a candidatura à reeleição do presidente da Câmara da capital Quito, Pabel Muñoz, apoiante do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).
Vallejo deu como exemplo da alegada perseguição uma recente reforma da lei eleitoral que, segundo ele, “tenta sufocar os partidos políticos da oposição”, a suspensão de movimentos como a Revolução Cidadã (RC), onde milita Correa, e a desqualificação de dirigentes que procuravam a reeleição.
O opositor mencionou ainda processos judiciais movidos para negar o registo de Luisa González, ex-candidata presidencial apoiada por Correa, como candidata à Câmara Municipal de Manabí (oeste), e uma denúncia de alegadas irregularidades eleitorais contra Pabel Muñoz, que o poderia excluir das eleições e que, segundo Vallejo, “não tem fundamento legal”.
“Estamos aqui para dizer ao país que não estamos a pedir qualquer vantagem neste processo eleitoral. Exigimos que este processo, convocado à pressa e prematuramente para novembro deste ano, seja livre e justo”, acrescentou Vallejo.
A líder da Unidade Popular, Natasha Rojas, afirmou que “o Governo sabe” que “se jogar limpo, perderá as eleições” e é por isso que “está a proibir organizações políticas e candidatos com hipóteses de vitória”.
“Isto faz parte de uma estratégia abrangente de fraude eleitoral orquestrada pela Presidência, que põe em risco a democracia e o direito de todos os candidatos a participar em igualdade de circunstâncias”, declarou Rojas.
Cristian Coronel, do movimento Todos, afirmou que se uniram porque não querem que nenhum futuro candidato a um cargo eletivo seja impedido de participar.
Por sua vez, a presidente do RC, Gabriela Rivadeneira, afirmou que procurarão “todos os meios legais e institucionais, bem como os políticos e sociais, para defender o direito do povo à escolha”.
Vallejo acrescentou que estão preparados para recorrer aos organismos internacionais “para defender eleições livres”.
Em abril, a organização Amnistia Internacional alertou para o “aumento das práticas autoritárias” no Equador, pelo Governo do Presidente Daniel Noboa, “que têm a ver com o desejo de concentrar o poder” e que violam direitos humanos.
“Para nós, é muito claro que desde o início deste Governo houve um retrocesso em termos de direitos humanos”, disse Camila Ruiz Segovia, chefe de campanhas da Amnistia Internacional para a América do Sul.

