A crescente digitalização dos automóveis tem-se feito muito à custa dos comandos físicos, com os ecrãs táteis e controlo por voz a servirem para manipular diversas funções. Mas há fabricantes que estão a recuar.
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12/10/2026
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A evolução tecnológica mudou a forma de interagir com os automóveis, com os ecrãs táteis e os comandos por voz a abrirem novas possibilidades de controlo. Muitas vezes a sacrifício dos tradicionais botões e interruptores físicos.
A questão da segurança coloca-se, uma vez que olhar e operar um ecrã tátil requer o desvio do olhar da estrada durante a condução.
O Euro NCAP introduziu novos requisitos para os seus testes em 2026 – que exigem comandos físicos para determinadas funções consideradas essenciais (como os piscas, buzinas, chamadas de emergência eCall ou os limpa para-brisas) de modo a obter as notas máximas.
Posto isto, nem tudo tem de ser físico para que um automóvel tenha sucesso na avaliação da sua segurança. Segundo a publicação Auto Express, um porta-voz da Euro NCAP rejeitou tornar obrigatória a inclusão de comandos físicos para controlar a climatização e a multimédia, ao considerar que “não são tarefas críticas“. Para além disso, alega que “não está provado que um controlo físico direto seja mais seguro“.
Clientes preferem e fabricantes voltam a comandos físicos
Independentemente da segurança, os próprios clientes – em particular na Europa – mostram uma preferência por comandos físicos nos automóveis e há fabricantes que vão ao encontro desses requisitos.
Um exemplo é Volkswagen, que recuou na digitalização das funções e voltou a incluir mais botões nos automóveis. Mas não é um caso único.
O Euro NCAP avaliou recentemente o Audi Q7, o Kia EV2 e o Xpeng, vendo que “os construtores automóveis estão a fazer um regresso constante ao favorecimento de botões e interruptores físicos para funções básicas, em vez de usarem ecrãs táteis e controlo por voz”.
Diferenças entre os fabricantes europeus e chineses
Destes, o Q7 recebeu a avaliação de 90 por cento para os controlos de condução – 100 por cento para tarefas essenciais e 80 por cento para conforto e infoentretenimento.
O Kia EV2 obteve 100 por cento em ambos os parâmetros. Por outro lado, os peritos consideram que o Xpeng X9 depende demasiado do ecrã tátil central e só somou 20 por cento nos controlos de condução primários (80 por cento no que toca ao infoentretenimento e conforto).
De resto, segundo o Euro NCAP, “há diferenças claras entre os fabricantes europeus e chineses“, sendo que a pontuação dos carros europeus nos botões para funções básicas é consideravelmente mais alta. E houve até um carro da China – o Leapmotor B05 – com uma pontuação de zero por cento para os controlos de condução.

