As Forças Armadas do Iémen anunciaram hoje que retomaram o controlo do estreito estratégico de Bab el Mandeb, a porta de entrada para o Mar Vermelho, no âmbito da sua contra-ofensiva contra a insurreição huthi.
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05/10/2026
por
Lusa
“As forças dos Gigantes e do Escudo da Pátria conseguiram assumir o controlo de Bab el Mandeb”, afirmou o porta-voz oficial das Forças Armadas, o coronel Mayed al Nuzaili, que salientou que o aeroporto de Dhahian se encontra sob o controlo das forças governamentais.
Na operação “de grande escala para atacar as capacidades e os elementos huthi”, a estrada entre Dhahian e Moca encontra-se cortada e foi imposto “um controlo de fogo rigoroso”.
“Centenas dos sitiados são elementos huthi na zona de Dhahian e devem render-se às forças governamentais”, salientou em comunicado, indicando que “alguns elementos” dos rebeldes fugiram em barcos pelo mar.
Por seu lado, a coligação para o Iémen liderada pela Arábia Saudita confirmou a sua participação na operação em apoio ao governo iemenita com cerca de uma centena de aviões de combate que destruíram “324 alvos de elevado valor”.
“Garantimos a proteção aérea do estreito de Bab el Mandeb, e a ação contra alvos móveis continua”, indicou o porta-voz das forças da coligação, Turki al Maliki, confirmando o apoio aéreo para apoiar as forças armadas iemenitas no terreno vai permanecer “24 horas por dia”.
A coligação militar liderada por Riade anunciou hoje que se vai juntar à ofensiva lançada no domingo pelo governo iemenita contra os combatentes huthis pró-iranianos, mobilizando 100 aviões de combate para realizar ataques ao amanhecer.
No domingo, os huthis cortaram uma via fundamental que ligava Taez, grande cidade do sudoeste, e agora cercam Aden, onde se situa a sede do governo internacionalmente reconhecido.
Em setembro, o movimento huthi infligiu importantes reveses às forças governamentais iemenitas e ao seu aliado saudita, reforçando, nomeadamente, o seu domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb.
Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou hoje que a escalada do conflito no Iémen causou 5.166 vítimas, entre as quais 959 mortos, desde 06 de agosto passado, uma crise que se estende para o leste do país, com um forte recrudescimento do cólera e um risco crescente de que a situação se agrave.
No seu sexto relatório de situação, relativo ao período de 27 de setembro a 02 de outubro, a agência da ONU indicou que, nesses seis dias, foram registadas 685 novas vítimas (564 feridos e 121 mortos), o que representa uma média de 114 por dia, contra as 101 do período anterior.
Taez, no sudoeste, tornou-se a frente de combate mais ativa depois de os combates terem chegado à própria cidade.
Segundo a organização, os combates continuam na costa e os primeiros relatos de vítimas chegaram esta semana de Hadramut e Al Yauf.
A OMS alertou que as falhas nas comunicações e os riscos de segurança impedem a obtenção de dados em tempo real em ambos os lados da linha da frente, pelo que os números devem ser considerados um valor mínimo.
Além disso, a OMS não tem acesso às zonas sob controlo das autoridades huthi de facto.

