Mais de 100 mil pessoas da Ucrânia e do Sudão podem permanecer nos Estados Unidos sem risco imediato de deportação, adiantou hoje Departamento de Segurança Interna (DHS), no mesmo dia em que o direito de permanência expiraria.
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20/10/2026
por
Lusa
Mais de 100 mil pessoas da Ucrânia e do Sudão podem permanecer nos Estados Unidos sem risco imediato de deportação, adiantou hoje Departamento de Segurança Interna (DHS), no mesmo dia em que o direito de permanência expiraria.
O estatuto de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês), terminava hoje para cerca de 101 mil ucranianos e 1.800 sudaneses.
Em comunicado, o DHS explicou que fará um anúncio oficial “no momento oportuno” e que, até lá, os ucranianos e sudaneses nos EUA abrangidos por estas medidas temporárias “mantêm a proteção”.
O organismo não especificou durante quanto tempo poderão permanecer no país nem quando será feito um anúncio definitivo sobre a sua situação.
O DHS não confirmou se estas pessoas poderão manter as suas autorizações de trabalho mas o TPS, de um modo geral, permite que os beneficiários trabalhem enquanto a proteção estiver em vigor.
A decisão de hoje marca mais um episódio em que a administração liderada por Donald Trump, que anteriormente procurou terminar com estas proteções temporárias contra a deportação e enviar as pessoas de volta para os seus países de origem, permite que os beneficiários do estatuto temporário permaneçam no país, sem, no entanto, oferecer qualquer orientação sobre a duração desta permanência.
Yuriy Boyechko, CEO da “Hope For Ukraine”, uma organização sem fins lucrativos que presta ajuda humanitária na Ucrânia e auxilia no realojamento de recém-chegados nos EUA, descreveu o anúncio do governo como uma “solução de última hora”.
É como “colocar um penso numa ferida, sem resolver o verdadeiro problema”, alertou.
O governo Trump já terminou o TPS a mais de 1 milhão de pessoas provenientes de 13 países, incluindo Venezuela, Haiti, Honduras, Nicarágua, Afeganistão e Síria.
No entanto, numa mudança de prática ocorrida há cerca de um mês, o executivo manteve as proteções para quase 200 mil salvadorenhos cujo TPS estava prestes a expirar em 09 de setembro.
Nessa altura, as autoridades informaram que tomariam uma decisão no momento oportuno e que, até lá, os cidadãos de El Salvador poderiam continuar a viver e a trabalhar nos EUA.
Ativistas e um grupo bipartidário de congressistas têm alertado para o próximo término do TPS para os ucranianos, argumentando que as condições continuam a ser inseguras para o seu regresso ao país de origem, em plena guerra contra a Rússia.
A Ucrânia foi incluída no programa TPS pela primeira vez em abril de 2022, após a invasão em grande escala pela Rússia, ocorrida dois meses antes.
O governo de Biden prorrogou esta designação mais tarde, a última vez em janeiro de 2025, quando o DHS autorizou mais 18 meses de proteção, prolongando-a até outubro de 2026.
O programa TPS para o Sudão foi criado em 1997 e, desde então, os sucessivos governos dos EUA têm-no prolongado devido ao conflito armado e à instabilidade política que assolam a nação africana.
A decisão anunciada hoje surge duas semanas antes das eleições intercalares de 03 de novembro, altura em que as políticas de imigração de Trump serão submetidas ao veredicto das urnas.
O Congresso dos EUA criou o TPS em 1990 para evitar deportações para países que enfrentam desastres naturais ou conflitos internos.
O estatuto permite que as pessoas que já estão no país permaneçam e trabalhem, por períodos renováveis, caso o secretário da Segurança Interna determine que as condições no país de origem não são seguras para o regresso.
Contudo, o programa não oferece um caminho para a obtenção de residência permanente.

