O líder da Guarda Revolucionária do Irão jurou hoje vingar quatro pessoas mortas num casamento, durante a mais recente vaga de ataques dos Estados Unidos, que, segundo a agência iraniana Tasnim, vitimou também seis elementos da Marinha.
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03/09/2026
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Lusa
“O sangue puro destes mártires não ficará impune e será certamente vingado”, disse Ahmad Vahidi num comunicado transmitido pela televisão estatal, no qual responsabilizou os Estados Unidos pelo ataque alegadamente realizado na região de Sirik, no sudeste do país.
A agência de notícias iraniana IRNA e a televisão estatal informaram que duas mulheres e duas crianças morreram neste ataque, e pelo menos outras 68 pessoas ficaram feridas.
O presidente do parlamento iraniano e chefe da delegação de Teerão nas negociações indiretas com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou os Estados Unidos de “Satanás” após este caso e recordou o bombardeamento de uma escola em Minab, que matou 155 pessoas, incluindo 120 menores, nas primeiras horas da ofensiva israelo-americana, iniciada em 28 de fevereiro.
Os militares dos Estados Unidos não reagiram às acusações do Irão sobre o ataque durante o casamento, apenas comentaram que “nunca atacam civis, ao contrário da Guarda Revolucionária”.
As declarações do líder da força ideológica da República Islâmica surgem no dia em que a agência Tasnim noticiou a morte de seis elementos da Marinha iraniana nos mais recentes ataques aéreos norte-americanos.
“Durante os ataques criminosos levados a cabo pelo exército terrorista norte-americano a 01 de setembro contra setores do país, seis membros da Marinha da República Islâmica do Irão foram martirizados”, relatou a agência próxima da Guarda Revolucionária, sem especificar os locais.
Pelo menos 19 pessoas foram mortas no Irão entre terça e quarta-feira, em ataques aéreos norte-americanos, incluindo sete membros das forças armadas e as quatro vítimas do casamento em Sirik.
Ignora-se ainda se os seis membros da Marinha iraniana estão incluídos no total de 19 mortos desta última vaga de confrontos, que começou com ataques norte-americanos no domingo contra supostos lançadores de minas no estreito de Ormuz.
O Irão procurou retaliar desde então, atingindo bases e interesses norte-americanos nos países vizinhos do Golfo como potenciais alvos.
Entre os últimos relatos, as defesas aéreas do Kuwait intercetaram mísseis e drones durante uma “agressão iraniana flagrante”, indicou o Ministério da Defesa na rede social X, depois de Bahrein e Jordânia terem informado que também o fizeram na quarta-feira.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que o estreito de Ormuz só será reaberto à navegação comercial em troca do fim da guerra em todas as frentes e do levantamento do bloqueio norte-americano.
Os Estados Unidos anunciaram pelo seu lado sanções a indivíduos e entidades que desenvolvam relações comerciais com o Irão, no âmbito de uma operação que visa isolar a República Islâmica e agravar a crise enfrentada pelo país.
Segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, esta operação não visa derrubar o regime de Teerão, mas forçá-lo a celebrar um acordo em sede negocial.

