O piloto Chesley “Sully” Sullenberger, conhecido mundialmente pelo “Milagre de Hudson” em 2009, revelou ter sido diagnosticado com a doença de Alzheimer numa fase inicial. Em entrevista, o norte-americano de 75 anos garantiu: “Já passei por situações mais difíceis do que esta”.
© Peter Zay/Anadolu via Getty Images
23/09/2026
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O piloto Chesley “Sully” Sullenberger, conhecido como o herói do “Milagre de Hudson” por ter conseguido amarar no rio Hudson, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi diagnosticado com Alzheimer este verão. No entanto, recusa ter medo da doença, lembrando que já fez “coisas mais difíceis”.
“Descobri recentemente que me foi diagnosticada a doença de Alzheimer. Está numa fase inicial”, contou o piloto, no seu site, em julho. “Por enquanto, isto significa que posso ter dificuldade em lembrar-me de nomes, esquecer histórias que contei recentemente ou não dormir tão bem, mas estou apenas no início desta longa viagem.”
Agora, em entrevista ao programa “Good Morning America”, Sully, de 75 anos, falou abertamente sobre a doença pela primeira vez.
O piloto Sully ficou conhecido em todo o mundo em 2009, quando protagonizou o chamado “Milagre de Hudson”. A 15 de janeiro desse ano, um avião da US Airways partiu de LaGuardia com destino a Charlotte e acabou por chocar com um bando de aves pouco depois da descolagem. A solução foi amarar sem potência no rio Hudson, conseguindo salvar todas as 155 a bordo.
Questionado sobre se este episódio lhe dá forças para enfrentar a doença de Alzheimer, Sully frisou: “Sim, já passei por situações mais difíceis do que esta”
“É preciso elaborar um plano, executá-lo na perfeição pela primeira vez, sem nunca ter feito aquilo antes, e salvar todas as vidas em 208 segundos”, continuou. “Se sequer uma pessoa não tivesse sobrevivido, eu teria considerado isso um fracasso trágico. Teria sentido isso profundamente pelo resto da minha vida.”
“Por isso, penso que estamos a fazer o mesmo aqui”, acrescentou. “Estamos a concentrar-nos claramente primeiro no que é prioritário e a ignorar tudo aquilo que não temos tempo para fazer, considerando-o apenas uma distração e algo sem importância.”
Sullenberger está a receber tratamentos mensais para atrasar a progressão da doença e contou que, inicialmente, queria manter o diagnóstico em segredo. Contudo, decidiu falar abertamente sobre o assunto para ajudar outras pessoas.
“Isto é uma doença, não uma falha de caráter”, disse a sua mulher, Lorrie Sullenberger, na entrevista. “Acho que precisamos de falar sobre isto mais abertamente, e talvez outras pessoas possam fazer o mesmo.”
O piloto contou que os primeiros sinais da doença foram esquecer coisas que normalmente não esqueceria, como nomes de pessoas e acontecimentos.
“Se tiver dúvidas, faça o teste, porque quanto mais cedo agir, mais opções haverá e melhor será o resultado”, apelou.
FULL: ‘Miracle on the Hudson’ pilot Capt. Sully is breaking his silence about his Alzheimer’s diagnosis in an exclusive interview with Robin Roberts, detailing how he and his family are navigating the diagnosis and what they want others to know about the brain disorder. pic.twitter.com/chiBzmq1qf
— Good Morning America (@GMA) September 23, 2026
Após o acidente, Sully foi homenageado pelo então mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg, e presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
O piloto foi convidado para a tomada de posse de Barack Obama, que assumiu a Casa Branca dias após a amaragem forçada. Em 2009, foi ainda considerado a segunda pessoa mais influente pela revista Time, ficando apenas atrás da então primeira-dama, Michelle Obama.
A história inspirou o filme “Sully, o Herói do Rio Hudson”, dirigido por Clint Eastwood e protagonizado por Tom Hanks.
Apesar do final feliz, o piloto foi investigado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês), que considerou que poderia haver tempo útil para chegar a um aeroporto e que Sully teria colocado em risco a vida de 155 pessoas sem necessidade.
Posteriormente, o relatório da investigação concluiu que a aeronave colidiu com um bando de aves e que a amaragem, apesar de arriscada, salvou todos os passageiros e tripulantes da aeronave.

