Imprensa e analistas antecipam fim da era Trump após “tsunami azul”

Imprensa e analistas antecipam fim da era Trump após

Imprensa e analistas norte-americanos antecipam o fim da “era Donald Trump” após a expressiva vitória dos democratas nas eleições intercalares de terça-feira, classificada como um “tsunami azul”.

© Chip Somodevilla/Getty Images


04/11/2026
por

Lusa

Imprensa e analistas norte-americanos antecipam o fim da “era Donald Trump” após a expressiva vitória dos democratas nas eleições intercalares de terça-feira, classificada já como um “tsunami azul”, em referência à cor do partido atualmente na oposição.

 

A revista The Atlantic, com sede em Washington, escreveu que Trump tem sido “a figura política dominante deste século”, mas, após a pesada derrota do Partido Republicano nas eleições intercalares, o magnata foi forçado a encarar a sua própria “mortalidade política”.

“Ele [Presidente] pediu aos eleitores que fizessem destas eleições intercalares um referendo sobre ele, que imaginassem que o seu nome estivesse no boletim de voto. Eles ouviram-no…e rejeitaram-no. É uma rejeição impressionante e generalizada”, escreveu o redator da revista norte-americana, Jonathan Lemire.

Com a ampla vitória democrata, incluindo em estados tradicional e profundamente republicanos, Trump terá agora que lidar com uma oposição em maioria nas duas câmaras do Congresso, que podem bloquear a sua agenda legislativa e usar o poder da intimação.

No entanto, a The Atlantic sublinha que o chefe de Estado também precisa de encarar a possibilidade de que o partido político que remodelou à sua imagem possa em breve começar a olhar além do “trumpismo”.

“Donald J. Trump agora é oficialmente, e completamente, um Presidente em fim de mandato. (…) A votação de terça-feira é um claro marco na trajetória de Trump rumo à irrelevância”, acrescentou.

A revista Foreign Policy encarou os resultados das intercalares como o “começo do fim do trumpismo”.

“Se o trumpismo foi a expressão mais reconhecível da vaga de contestação que marcou este momento global, talvez estejamos agora a assistir a uma contra-reação (…). Os americanos finalmente cumpriram o que vinham a dizer aos institutos de sondagem durante todo o ano: estão furiosos e não vão mais tolerar isso”, destacou o artigo assinado pelo editor Ravi Agrawal.

Apesar de não tirar mérito aos candidatos democratas pela campanha vitoriosa, o artigo sugere que a votação foi mais uma rejeição da atualidade apresentada por Trump do que um roteiro para o futuro.

Também o influente The New York Times (NYT) escreveu: “Eleitores enfurecidos marcam o início do fim da era Trump”.

O jornal explica que a reação eleitoral negativa a Trump estendeu-se até mesmo a estados profundamente republicanos e indicou que o Presidente perdeu o controlo da coligação que o levou à Casa Branca duas vezes.

“A margem geral de vitória democrata indica que, embora o Presidente ainda tenha mais dois anos no cargo e possa exercer grande influência, os americanos estão a sinalizar o início do fim da era Trump”, referiu o texto.

Trump tentou rapidamente salvar a sua reputação, insistindo que a derrota do seu Partido Republicano não era realmente uma rejeição à figura presidencial, já que o seu nome não constava no boletim de voto — apesar de ter dito repetidamente aos eleitores para votarem como se ele constasse.

No entanto, o NYT salienta que a campanha republicana girou claramente em torno de Trump, mesmo que o Presidente se tente agora afastar desse facto.

“Foi Trump quem decidiu iniciar uma guerra com o Irão, que abalou os mercados de energia e fez os preços da gasolina dispararem. Foi Trump quem escolheu os candidatos, os temas, a estratégia e a mensagem” das campanhas”, frisou o artigo.

À lista de analistas e órgãos de imprensa que antecipam o fim da era de Donald Trump junta-se, por exemplo, a revista The New Yorker, com o artigo “Finalmente, o começo do fim de Trump”, ou o jornal britânico The Guardian, com um artigo de opinião assinado pela colunista Moira Donegan e intitulado “Soaram finalmente os sinos da morte do trumpismo”.

A vitória democrata nas eleições intercalares de terça-feira entrega ao partido o controlo do Congresso e deverá limitar a ação do Presidente Donald Trump nos últimos dois anos do mandato.

A partir do início de janeiro, quando os novos eleitos tomarem posse, os democratas poderão definir a agenda legislativa, condicionar o orçamento federal, bloquear nomeações presidenciais e lançar investigações parlamentares sobre o Presidente republicano e membros da sua administração.

Donald Trump continuará, contudo, a dispor de instrumentos importantes de poder, incluindo o veto presidencial e competências próprias do poder executivo.

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