A Quercus deixou um alerta sobre os incêndios em Portugal, falando sobre a “pressão” que é cada vez mais crescente e também do impacto de fenómenos como o El Niño ou a “proliferação descontrolada” de eucaliptal.
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20/08/2026
por
Notícias ao Minuto
Em comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, a associação aponta que “os incêndios florestais continuam a figurar entre os maiores e mais dramáticos problemas ambientais, sociais e políticos de Portugal”.
Sublinhando que milhares de hectares são “reduzidos a cinzas, perpetuando uma tragédia recorrente que alterna entre anos maus e catastróficos”, a Quercus considera: “Com o agravamento da crise climática, os cenários extremos são agora a norma”.
A associação aponta ainda que neste âmbito, “em 2026, a manifestação do fenómeno El Niño – com alertas expressos da Organização Meteorológica Mundial para secas severas, precipitação extrema e vagas de calor sufocantes – veio adicionar uma pressão devastadora sobre o território português”.
“Os grandes incêndios já registados este ano, como o de Vouzela, em julho (responsável por metade da área ardida nacional até ao momento), são o sintoma visível de um país vulnerável e desarmado”, acrescentam.
A culpa é (também) do eucalipto?
Na nota enviada pela Quercus é também referido que o eucalipto, cuja monocultura pode ser mesmo o “principal ingrediente para o desastre”.
“A perda de resiliência do nosso território não é um acidente natural. É o resultado direto de décadas de políticas florestais erradas, da desregulação promovida por sucessivos governos e do domínio sufocante do lobby da indústria de pasta de papel, papel e biomassa lenhosa, incluindo vastos subsídios públicos e mecanismos de apoio direcionados para o setor”, considera a associação, referindo que a “proliferação descontrolada das monoculturas de eucalipto transforma a paisagem num autêntico pavio, permitindo que os incêndios se propaguem com velocidade e violência incalculáveis”.
A Quercus alerta para a combustibilidade extrema e também para a realidade de que estas explorações exercem “uma pressão insustentável sobre os recursos hídricos, secando os solos e agravando o impacto das secas severas, cujas ocorrências, com maior frequência, são agravadas pelas alterações climáticas”. “A cobertura de eucaliptais pelo país tem-se intensificado no país ao longo dos anos, com destaque para as regiões Centro e Norte“, detalham.
O que pode o Estado fazer?
No comunicado são ainda deixadas algumas medidas, elaboradas pela associação em conjunto com a rede Environmental Paper Network. Veja abaixo:
Regulação e travão à monocultura
- Moratória imediata ao Eucalipto: Suspensão total e efetiva de novas arborizações e rearborizações com eucalipto em todo o território nacional;
- Metas vinculativas de conversão: Estabelecimento de um plano nacional para a redução progressiva da área de eucaliptal até 2030, impondo a substituição obrigatória por espécies autóctones (carvalhos, sobreiros, castanheiros e azinheiras);
- Fim da desregulação: Revisão urgente do RJAAR (Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização) e reforço imediato da fiscalização no terreno.
Responsabilização financeira
- Aplicação do princípio Poluidor-pagador: Criação de uma taxa sobre o impacto ambiental da indústria da pasta de papel e biomassa. As empresas que lucram com a monocultura têm de financiar a prevenção, o combate aos incêndios e o restauro ecológico.
Valorização do território e do mundo rural
- Pagamento por Serviços Ambientais (PSA): Apoio financeiro direto, justo e desburocratizado aos pequenos proprietários que plantam e mantêm floresta autóctone de lento crescimento;
- Mosaicos paisagísticos e faixas de gestão: Obrigatoriedade de faixas ecológicas de proteção com folhosas e galerias ripícolas ao longo de estradas, cursos de água e cristas de serras;
- Apoio à gestão tradicional: Incentivo à pastorícia e agricultura de montanha como métodos sustentáveis de gestão de biomassa e combate à desertificação humana.

