As autoridades indianas anunciaram hoje a mobilização de cerca de 23 mil agentes da polícia e militares na capital, Nova Deli, tendo em vista os protestos convocados para sábado pelo movimento estudantil conhecido como “Partido das Baratas” (CJP).
© Arun SANKAR / AFP via Getty Images
09/10/2026
por
Lusa
As autoridades indianas anunciaram hoje a mobilização de cerca de 23 mil agentes da polícia e militares na capital, Nova Deli, tendo em vista os protestos convocados para sábado pelo movimento estudantil conhecido como “Partido das Baratas” (CJP).
Os protestos não foram autorizados pelas entidades competentes por não terem sido respeitados os prazos estabelecidos.
Está previsto que os membros do movimento voltem a exigir a demissão do presidente da Comissão Eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar, nomeado para o cargo pelo primeiro-ministro, Narendra Modi, e acusado de manipular os cadernos eleitorais para beneficiar o partido do chefe do Governo.
Tudo indica que haverá suspensões e encerramentos de serviços, nomeadamente nas redes ferroviárias e de metropolitano, interrupções que poderão agravar-se, tendo em conta a falta de autorização para os protestos e os antecedentes das anteriores manifestações realizadas no país, durante as quais terão ocorrido alegadas violações.
Estima-se que 57 estações do metropolitano sejam afetadas pelas manifestações, pelo que permanecerão todas encerradas a partir das 21:00 locais de hoje (01:30 de sábado em Lisboa).
O porta-voz e dirigente do movimento, Deepak Baliyan, foi libertado depois de ter sido detido pela polícia do estado do Rajastão, no oeste da Índia. Baliyan ainda não se pronunciou sobre o sucedido, mas alertou que o seu telemóvel ficou destruído.
“Deepak Baliyan foi libertado ao final da noite [de quinta-feira]”, anunciou hoje nas redes sociais o coorganizador do movimento, Ashutosh Ranka, que garantiu que “a polícia do Rajastão o levou numa viagem de 100 quilómetros, mas acabou por deixá-lo novamente em casa”.
Ranka sublinhou que “há limites que não devem ser ultrapassados” e considerou positivo que a polícia regional “tenha acabado por se aperceber disso”.
Na quinta-feira, o movimento denunciou a detenção de Baliyan na sua própria residência, alegando que o porta-voz do movimento associado aos jovens indianos da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) teria sido “arrastado, agredido e detido pela polícia do Rajastão, sendo depois transferido para um local desconhecido”.
“Esta é a face absolutamente ditatorial deste Governo”, declarou o movimento, divulgando igualmente um vídeo que alegadamente mostra a detenção de Baliyan pelas forças de segurança indianas.
A notícia surgiu num contexto de protestos realizados nos últimos dias contra o presidente da Comissão Eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar, acusado de tentar manipular os cadernos eleitorais para favorecer o partido do primeiro-ministro, Narendra Modi.
As manifestações, que exigem a demissão de Kumar, foram impulsionadas pelo “Partido das Baratas”, liderado por assembleias de estudantes, que ganhou uma enorme influência social ao longo do ano, ao ponto de ter forçado, durante o verão, a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, na sequência de um escândalo relacionado com fugas de informação em exames.
Ainda assim, o coorganizador do movimento dirigiu uma mensagem aos agentes policiais de todos os estados indianos numa publicação divulgada pouco depois.
Reconhecendo que “aquilo que lhes está a ser ordenado neste momento resulta de instruções superiores”, questionou-os sobre “como podem levantar a mão contra os seus próprios filhos” e “como podem arrastá-los durante a noite, comportando-se como valentões”.
Ranka sublinhou ainda que o movimento segue “os ensinamentos” de Mahatma Gandhi, líder do movimento de independência indiano, e de Babasaheb Ambedkar, principal arquiteto da Constituição da Índia, mantendo-se fiel ao “caminho da não violência e da Constituição”.
“Não levantaremos a mão contra ninguém nem recorreremos à violência. Mas também devem compreender que, aconteça o que acontecer, amanhã [sábado] estaremos em Jantar Mantar”, advertiu, referindo-se ao evento programado pelo movimento nos históricos observatórios astronómicos de Jaipur, no estado do Rajastão.

