Os partidos da oposição indiana organizaram novos protestos contra o presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, exigindo a sua demissão após uma revisão dos cadernos eleitorais que levou à exclusão de mais de 130 milhões de nomes.
© Reuters
01/11/2026
por
Lusa
Os partidos da oposição indiana voltaram hoje a exigir a demissão do responsável máximo pela autoridade eleitoral do país, organizando novos protestos, no mais recente sinal de contestação pública ao Governo do primeiro-ministro Narendra Modi.
O protesto, convocado pela coligação da oposição INDIA, reuniu milhares de manifestantes, alguns dos quais transportavam instrumentos musicais e agitavam bandeiras de várias cores, enquanto entoavam palavras de ordem contra as políticas do Governo central.
Vários partidos da aliança, criada em 2023 com o objetivo de afastar Modi do poder, mobilizaram militantes de diferentes estados para a manifestação, que acontece semanas depois de uma operação policial de repressão contra manifestantes em Nova Deli.
Liderados por Rahul Gandhi, dirigente do principal partido da oposição, o Partido do Congresso, e apoiados pelo movimento juvenil “Cockroach” (Partido das Baratas), os manifestantes apelaram à defesa da democracia indiana e exigiram a demissão do presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, devido a uma polémica revisão dos cadernos eleitorais.
Os manifestantes concentraram-se em Ramlila Maidan, uma vasta praça pública de Nova Deli, depois de a polícia ter retirado, no mês passado, Jantar Mantar da lista de locais oficialmente autorizados para a realização de manifestações. O histórico observatório tinha sido, durante muito tempo, o principal local de protesto da capital.
As autoridades mobilizaram milhares de agentes policiais e militares de forças paramilitares e instalaram um amplo dispositivo de vigilância, com mais de 200 câmaras de videovigilância, drones e câmaras acopladas aos uniformes dos agentes, tanto no local da manifestação como ao longo do percurso, segundo responsáveis oficiais.
A revisão dos cadernos eleitorais em curso já levou à eliminação de mais de 130 milhões de nomes desde o ano passado. Os críticos consideram que o processo tem motivações políticas, ameaça privar milhões de pessoas do direito de voto e afeta de forma desproporcionada as minorias, em particular a comunidade muçulmana.
A Comissão Eleitoral e o Governo de Modi rejeitam as acusações e afirmam que a revisão visa eliminar inscrições duplicadas e registos de pessoas sem direito a votar.
A organização Human Rights Watch afirmou na quinta-feira que as acusações relativas à revisão dos cadernos eleitorais levantam “sérias questões sobre a equidade das futuras eleições na Índia”.
“As autoridades devem suspender imediatamente o processo de revisão dos cadernos eleitorais, que privou as pessoas mais marginalizadas da Índia do direito de voto e do acesso a outros serviços públicos”, afirmou Elaine Pearson, diretora da organização para a Ásia, num comunicado.
Nas últimas semanas, a exigência de demissão de Kumar tornou-se uma das principais palavras de ordem dos partidos da oposição e dos apoiantes do Partido Cockroach Janta, que procuram desafiar o Partido Bharatiya Janata, de orientação nacionalista hindu, liderado por Modi.
Modi não comentou publicamente os protestos. Alguns dirigentes do seu partido classificaram os manifestantes como “anarquistas” e sugeriram, sem apresentarem provas, que estes são apoiados por potências estrangeiras.
Em julho, protestos liderados pelo movimento juvenil “Cockroach” levaram à demissão do ministro da Educação de Modi, num raro revés para o primeiro-ministro, que está no poder há mais de 12 anos.
O movimento surgiu durante o verão, como uma campanha satírica nas redes sociais, depois de o presidente do Supremo Tribunal da Índia ter comparado os jovens desempregados a parasitas e a baratas.

