AfD cresce em eleições regionais alemãs de 2027 (e desafia Merz)

AfD cresce em eleições regionais alemãs de 2027 (e desafia Merz)

A Alemanha terá cinco eleições regionais em 2027, num ano em que a subida do partido de extrema-direita AfD e a queda de popularidade do chanceler conservador, Friedrich Merz, deverão pôr à prova os partidos tradicionais.

© Reuters


01/11/2026
por

Lusa

A Alemanha terá cinco eleições regionais em 2027, num ano em que a subida do partido de extrema-direita AfD e a queda de popularidade do chanceler conservador, Friedrich Merz, deverão pôr à prova os partidos tradicionais.

 

O calendário eleitoral começa a 18 de abril, com eleições em Schleswig-Holstein e no Sarre, e prossegue a 25 de abril na Renânia do Norte-Vestefália. Bremen vai a votos a 30 de maio e a Baixa Saxónia encerra o ciclo eleitoral a 26 de setembro.

Os parlamentos regionais são eleitos por períodos de cinco anos, com exceção de Bremen, onde o mandato é de quatro.

O contexto nacional é desfavorável ao Governo federal, formado pelos conservadores da União Democrata-Cristã (CDU) e União Social- Cristã na Baviera (CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD, centro-esquerda).

Segundo dados recentes revelados pelaó canal televisivo ARD, apenas 10% dos inquiridos se diziam satisfeitos com o trabalho de Merz e do executivo. Numa eventual eleição federal, a Alternativa para a Alemanha (AfD) recolhia 27% das intenções de voto, contra 20% da CDU/CSU e 13% do SPD.

A situação varia, porém, de estado para estado. A AfD está a crescer em vários territórios, mas os resultados de 2027 dependerão também do desempenho dos governos regionais e da capacidade dos partidos para formar coligações.

Em Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, a CDU governa com os Verdes, sob a liderança de Daniel Günther. Apesar de continuar à frente nas sondagens, o partido está abaixo dos 43,4% que obteve nas eleições de 2022.

A AfD, que então ficou de fora do parlamento regional, surge agora com cerca de 16,5%, segundo uma média de sondagens de julho, quatro vezes mais que os 4,4% conseguidos nas últimas eleições.

O estado tem ainda uma particularidade: a presença de uma minoria dinamarquesa e frísia, representada pelo SSW, partido que não está sujeito à barreira eleitoral dos 5%.

No Sarre, junto à fronteira francesa e com uma longa tradição na indústria do carvão e do aço, o SPD governa sozinho, liderado por Anke Rehlinger.

Os sociais-democratas conquistaram uma maioria absoluta em 2022, com 43,5%, mas uma média de sondagens de dezembro de 2025 já lhes atribuía 27%. A CDU surgia com 25% e a AfD com 23%, numa disputa que poderá pôr em causa a posição dominante do SPD.

Na Renânia do Norte-Vestefália, o estado mais populoso do país, com a maior comunidade portuguesa na Alemanha, e um dos seus principais centros industriais, a CDU e os Verdes governam sob a liderança de Hendrik Wüst.

A CDU venceu as eleições de 2022 com 35,7%, enquanto o SPD registou um dos seus piores resultados regionais. Nas sondagens disponíveis em outubro, os conservadores recolhiam cerca de 29%, a AfD 20% e os sociais-democratas 16,3%.

A evolução da AfD será particularmente relevante neste estado da Alemanha ocidental, onde o partido obteve 5,4% em 2022 e surge agora com um apoio bastante superior.

Em Bremen, cidade-estado que inclui Bremen e Bremerhaven, o SPD governa com os Verdes e o partido A Esquerda (Die Linke), numa coligação liderada por Andreas Bovenschulte.

As sondagens de agosto colocavam a CDU ligeiramente à frente, com 22,5%, seguida do SPD, com 21%, e da AfD, com 16%. A diferença entre os dois primeiros partidos é reduzida, deixando em aberto a disputa pela liderança.

Na Baixa Saxónia, onde a agricultura convive com importantes polos industriais, incluindo o setor automóvel, o SPD governa com os Verdes.

Uma sondagem de setembro atribuía 26% aos sociais-democratas, 22% à CDU e 21% à AfD. O partido de direita radical aproximava-se, assim, dos dois maiores partidos, depois de ter conseguido 10,9% nas eleições de 2022.

Os resultados serão importantes tanto para a CDU como para o SPD, que terão de avaliar até que ponto o descontentamento com o Governo federal afeta o seu apoio nos estados.

Para a AfD, as eleições representam uma oportunidade de confirmar nas urnas a subida registada nas sondagens e de reforçar a sua presença nos parlamentos regionais.

A evolução da intenção de voto nos próximos meses ajudará a perceber se a quebra de popularidade de Merz se traduz numa penalização eleitoral dos conservadores e dos sociais-democratas. Mas o peso dos temas locais e as diferenças entre os cinco estados tornam incerto que a tendência nacional se repita de forma idêntica em todas as votações.

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