O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, falou com o Presidente russo, Vladimir Putin, sobre a guerra no Médio Oriente, reportou hoje a agência estatal iraniana, sem avançar pormenores.
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02/11/2026
por
Lusa
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, falou com o Presidente russo, Vladimir Putin, sobre a guerra no Médio Oriente, reportou hoje a agência estatal iraniana, sem avançar pormenores.
Rezaei e Putin “discutiram a situação atual […] no Médio Oriente”, limitou-se a relatar a agência noticiosa oficial Irna, numa altura em que os Estados Unidos e Israel intensificaram, nos últimos dias, as ameaças de um reatamento das hostilidades contra a República Islâmica.
Também hoje, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo manifestou preocupação com a situação no Irão, na sequência de sinais de que poderão ocorrer novos ataques militares norte-americanos contra a República Islâmica.
“Os sinais de que estão a ser planeadas novas ações militares contra a República Islâmica são extremamente preocupantes”, afirmou a porta-voz do ministério russo, Maria Zakharova, que destacou ainda a necessidade de intensificar os esforços diplomáticos para normalizar a situação no país.
“Apoiamos os esforços dos mediadores e, da nossa parte, facilitamos o processo negocial. Reiteramos a nossa disponibilidade para contribuir tanto para a procura de soluções mutuamente aceitáveis como para a sua posterior implementação”, declarou.
No início de outubro, Putin garantiu ao homólogo do Irão, Masoud Pezeshkian, que a Rússia estava pronta a contribuir para os esforços de mediação entre o Irão e os Estados Unidos na guerra no Médio Oriente.
No domingo, durante um comício no Iowa e a poucos dias das eleições intercalares de terça-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou lançar novos ataques contra o Irão.
Em simultâneo, os órgãos de comunicação social norte-americanos noticiaram que Trump abordou com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de retomar os bombardeamentos.
A publicação norte-americana The Atlantic apresentou vários cenários possíveis para uma campanha militar no Irão que Washington poderá ponderar após as eleições intercalares, incluindo ataques contra o programa nuclear e as infraestruturas militares iranianas. Contudo, a publicação não exclui uma solução diplomática.
A guerra no Médio Oriente teve início em 28 de fevereiro, com ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão.
Teerão retaliou com ataques contra Israel e instalações norte-americanas em toda a região, restringindo igualmente o tráfego marítimo no estratégico estreito de Ormuz.
O Qatar e o Paquistão têm desempenhado o papel de mediadores nos esforços para retomar as negociações de paz, após um acordo de cessar-fogo alcançado em abril.
As diligências diplomáticas não resultaram num acordo duradouro.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, declarou nos últimos dias que Teerão estava a discutir com os dois mediadores um plano para pôr fim à guerra e reabrir o estreito de Ormuz.
Simultaneamente, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos, restringindo ainda mais a capacidade de Teerão para exportar o seu petróleo e realizar trocas comerciais.
Entre outras condições para reabrir o estreito, Teerão exige a Washington um cessar-fogo em todo o Médio Oriente, o descongelamento dos bens iranianos no estrangeiro, o levantamento de sanções e o fim do bloqueio naval norte-americano.

