O cartaz do Festival de Jazz de Monserrate, em Sintra, entre 11 e 13 de setembro próximo, inclui, entre outros, os músicos Daniel Bernardes, Rita Maria e Angélica Salvi, Becca Stevens e João Barradas que convida Jonathan Kreisberg.
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31/07/2026
por
Lusa
O festival, sob o mote “Outros Tempos”, realiza-se nos relvados do Palácio de Monserrate, em Sintra, no distrito de Lisboa, e “tem uma filosofia mais envolvente com o património e a paisagem”, disse à agência Lusa a sua diretora artística, Inês Laginha.
Todos os concertos são ao ar livre, excetuando os concertos “Jazz para Bebés”, dirigidos a crianças dos zero aos 36 meses e às suas famílias, que se realizam na sala de música do palácio oitocentista.
“O Festival parte da ideia de que o jazz é, mais do que um género musical, uma forma de habitar o tempo. Um tempo elástico, aberto à improvisação, ao diálogo e à escuta. Entre tradição e contemporaneidade, composição e criação em tempo real, aprendizagem e fruição. A programação deste ano convida o público a experienciar diferentes formas de relação com a música, com o património e com a paisagem, reforçando a ideia do jazz em Monserrate como um espaço de encontro entre artistas públicos e gerações”, afirmou Inês Laginha.
O festival abre no dia 11 com o pianista Daniel Bernardes – que se deu a conhecer no Festival de Jazz de Valado dos Frades, em 2002, num projeto do saxofonista Mário Marques -, e que orienta uma ‘masterclass’ sobre “A relação entre música e imagem”.
À noite, Daniel Bernardes vai acompanhar ao piano a exibição do filme “Nosferatu: Uma Sinfonia de Horror” (1922), de F.W. Murnau.
“Eu gosto da ideia de que sexta-feira é um dia distintivo, porque é o dia de concerto. A minha ideia é que seja um dia de concerto único, porque as pessoas, à partida, muitas pessoas já estão a trabalhar. Estamos em setembro e, portanto, acho que não se deve presumir que possam ir passar o dia a Monserrate. Vão lá para ver um concerto. E este ano o meu desafio ao Daniel Bernardes foi musicar um filme mudo, ao vivo. E ele vai musicar este filme ao vivo, vai ser um improviso, apesar de ele trazer partes preparadas”.
Os alunos de Jazz do Conservatório Nacional cumprem duas ‘jamsessions’, nos dias 12 e 13, à tarde.
Inês Laginha quis “dar ênfase a grupos dirigidos, por mulheres músicas”.
“Desse ponto de vista, chamei a Rita Maria e a Angélica Sá, para se apresentarem com a banda por escolha delas, e que a dirigissem. Vão tocar música a partir de composições de Bernardo Sassetti [1970-2012]”, no dia 12 de setembro, às 18:00.
“A ideia foi que o concerto das seis da tarde fosse um concerto com banda. E, portanto, ainda durante o dia, conforme o sol se vai pondo”, sucede-se no palco a norte-americana Becca Stevens para apresentar “Maple To Paper”.
“É a Becca Stevens a solo. Quis fazer uma ideia muito diferente do que é feito normalmente nos festivais, que é acabar sempre com a banda maior, com a coisa mais energética, ser o fim. Achei que era interessante, precisamente pela questão de ser num jardim e de acompanhar o pôr-do-sol, haver um abrandamento ao longo do dia, por oposição àquilo que se faz normalmente. Portanto, vamos ter a banda mais completa às seis da tarde e depois, às oito, a Becca Stevens a cantar a solo, a acompanhar o sol a pôr-se, porque acho que é uma parte relevante da experiência”, disse Inês Laginha à Lusa.
Em 2008, aos 24 anos, Becca Stevens foi apontada pelo crítico de jazz do jornnal The New York Times como “o segredo mais bem guardado” do jazz. No percurso da pianista, cantora e compositora seguiram-se colaborações com músicos como David Crosby e a sua Lighthouse Band, a orquestra de jazz Snarky Puppy, o ensemble Kneebody, Jacob Collier, o pianista Brad Mehldau e o Attacca Quartet.
Compositora, multi-instrumentista e produtora, Becca Stevens foi já duas vezes nomeada para os prémios Grammy.
“No domingo, dia 13, o tempo já tem a ver com tempo histórico. Vamos ter Mateus Saldanha, que tocará um jazz mais tradicional, e depois João Barradas, que tocará um jazz mais contemporâneo”, e que convidou o guitarrista norte-americano Jonathan Kreisberg.
O guitarrista Mateus Saldanha apresenta o seu disco de estreia, “Troubles” (2025).
O trio de João Barradas (acordeão) inclui André Rosinha (contrabaixo) e Diogo Divagações (bateria), e convidou para este concerto o guitarrista nova-iorquino Jonathan Kreisberg, que se deu a conhecer em 1995 com o álbum “Third Wish with Wyscan”.
O músico norte-americano soma esta colaboração a várias outras que têm pontuado a sua carreira, nomeadamente, com Lonnie Smith, LeeKonitz, Joe Locke, Ari Hoenigm Stefano di Battista e Don Fernando.
O festival de Jazz de Monserrate foi criado em 2022 pela Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), a entidade que gere os parques e monumentos de Sintra.
A edição deste ano tem um orçamento de 800 mil euros, disse à Lusa fonte da PSML.
No ano passado, assistiram ao Festival 4.300 espectadores, segundo esta entidade.
A programação integral e horários podem ser consultados em www.jazzemmonserrate.pt.

