O julgamento da eurodeputada da esquerda radical francesa Rima Hassan, acusada de apologia do terrorismo nas redes sociais, começou hoje em Paris, num clima de tensão e de trocas de ofensas entre advogados.
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19/10/2026
por
Lusa
O julgamento da eurodeputada da esquerda radical francesa Rima Hassan, acusada de apologia do terrorismo nas redes sociais, começou hoje em Paris, num clima de tensão e de trocas de ofensas entre advogados.
Hassan, de origem palestiniana e anti-Israel, optou pelo silêncio na primeira audição, marcada por insultos e vários incidentes entre o seu advogado, Vincent Brengarth, e os representantes da Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo (LICRA), Galina Elbaz, e da Organização Judaica de França (OJF), Julien Bensimon.
Depois de Elbaz ter acusado Brengarth de apresentar uma argumentação com “ares antissemitas”, o advogado abandonou a sala de audiências, seguido pela sua cliente, durante alguns minutos.
A defesa tinha argumentado, entre outros pontos, que as organizações que integram a acusação incentivam e defendem a política do Estado de Israel, ao mesmo tempo que desqualificam as opiniões sobre a Palestina da deputada do partido “A França Insubmissa” (LFI, na sigla em francês).
Nutro confronto, Brengarth acusou e Bensimon de o ter insultado, durante uma pausa da sessão.
Em causa no julgamento está uma mensagem que Hassan (34 anos) publicou na sua conta X a 26 de março, contendo uma citação de Kozo Okamoto — um japonês responsável por um atentado no aeroporto de Telavive, em 1972, no qual foram assassinadas 26 pessoas.
Na citação, o terrorista japonês (falecido em julho, em Beirute) afirmava ter dedicado a sua juventude à causa palestiniana e que, “enquanto houver opressão, a resistência não será apenas um direito, mas um dever”.
Hassan esteve recentemente envolvida noutro incidente, em que é acusada de derrubar as bandeiras israelita e europeia numa exposição sobre os ataques terroristas de 07 de outubro de 2023.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês defendeu a 06 de outubro “sanções exemplares” caso se confirmem os atos atribuídos a Hassan..
“As acusações formuladas contra uma eurodeputada filiada no França Insubmissa, segundo as quais ela teria vandalizado uma exposição (…) no Parlamento Europeu em memória das vítimas de 07 de outubro, se forem comprovadas, exigem que o Parlamento Europeu aplique sanções exemplares”, afirmou Jean-Noel Barrot no parlamento francês.
A equipa de Rima Hassan reagiu num comunicado argumentando que a eurodeputada, ao abandonar o local da exposição, “retirou a bandeira israelita do suporte” e que a bandeira da EU, fixada no mesmo local, acabou por “cair inadvertidamente devido ao desequilíbrio”.
“Nenhuma bandeira foi pisada ou danificada”, defendeu.
“O nosso gesto insere-se na denúncia do genocídio que continua a ser levado a cabo pelo Governo israelita”, mas não visava “de forma alguma as pessoas a quem este evento pretendia prestar homenagem, nem a sua memória”, acrescentaram os membros da equipa da eurodeputada.
No hemiciclo, Rima Hassan reiterou esta argumentação.
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, classificou o episódio como “vergonhoso, escandaloso, mas infelizmente não surpreendente”.
“A profanação da exposição em homenagem às vítimas de ’07 de outubro’ no Parlamento Europeu, levada a cabo pela eurodeputada de extrema-esquerda Rima Hassan, demonstra, acima de tudo, o pouco respeito que ela tem pela própria instituição de que faz parte”, escreveu Saar no X.
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, disse levar “extremamente a sério” as acusações contra Hassan.
“Um membro desta Assembleia foi filmado aparentemente a vandalizar uma exposição” no Parlamento Europeu “que assinala a memória das vítimas do ataque terrorista perpetrado em Israel a 07 de outubro” de 2023, afirmou Metsola no hemiciclo.
“Levamos este caso extremamente a sério e estão em curso todas as medidas adequadas previstas nos nossos procedimentos, incluindo o respeito pelo direito da pessoa em causa a ser ouvida”, acrescentou.
O incidente está atualmente a ser analisado pelos serviços do Parlamento Europeu, tinha indicado uma porta-voz à agência noticiosa France-Presse (AFP).

