Kanye West, também conhecido como Ye, vai atuar em outubro na Rússia, com dois concertos marcados para São Petersburgo. O rapper norte-americano será o músico ocidental mais famoso a atuar no país desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022.
© Muhammed Ali Yigit/Anadolu via Getty Images
19/08/2026
por
O rapper Kanye West, também conhecido artisticamente como ‘Ye’, anunciou dois concertos em São Petersburgo, na Rússia, tornando-se o músico ocidental mais famoso a atuar no país desde a invasão russa da Ucrânia, iniciada há mais de quatro anos.
Os concertos têm data marcada para os dias 10 e 11 de outubro na Gazprom Arena, em São Petersburgo, e a maioria dos bilhetes já estão esgotados.
Segundo o The Guardian, após o anúncio, feito na segunda-feira, quase todos os bilhetes mais caros, que custam 1.580 dólares (cerca de 1.360 euros), foram vendidos em poucas horas, enquanto os mais baratos, a rondar os 105 dólares (90 euros), já estão esgotados.
Há também a possibilidade de o rapper norte-americano encontrar-se com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a vice-presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Duma (câmara baixa do parlamento), Svetlana Zhurova, a adiantar que tudo depende da agenda de ambos.
“Hipoteticamente, essa possibilidade existe”, admitiu.
Kanye West, sublinhe-se, tem sido alvo de críticas ao longo dos últimos anos por ter feito várias afirmações de teor antissemita, teorias da conspiração sobre a comunidade judaica e declarações de apologia ao nazismo.
Estas afirmações resultaram na suspensão das suas redes sociais, no cancelamento de contratos com marcas globais como a Adidas e até na proibição de entrar em determinados países.
Entre outros casos, Kanye West afirmou, em dezembro de 2022, durante uma entrevista ao vivo, “Eu amo Hitler” e “Eu vejo coisas boas em Hitler” e defendeu que “todas as pessoas trouxeram algo de valor para a mesa, especialmente Hitler”, acrescentando que “não gostava de ver a palavra maldade associada aos nazis”.
Na mesma altura, publicou na rede social X (antigo Twitter) uma imagem que fundia a suástica nazi com a estrela de David judaica, o que levou o dono da X, Elon Musk, a suspender a sua conta na plataforma.
Em janeiro passado, poucas semanas antes do lançamento do seu novo trabalho, Kanye West comprou um anúncio de página inteira no jornal The Wall Street Journal, onde publicou uma carta aberta intitulada “Aos que magoei”.
Na carta, pediu desculpas públicas e afirmou: “Não sou nazi nem antissemita. Eu amo o povo judeu”, justificando o seu comportamento passado com graves crises de saúde mental causadas por um transtorno bipolar.
“Lamento profundamente e estou bastante envergonhado pelas minhas ações”, sublinhou.
As suas declarações levaram a que vários países – incluindo o Reino Unido, França, Polónia, Suíça, Itália, ou República Checa – proibissem a realização dos seus concertos. Apesar da polémica, o artista atuou no passado dia 8 de agosto no Estádio Algarve.
Este foi o terceiro concerto do rapper norte-americano em Portugal, depois de se ter estreado em 2006, no Cool Jazz Fest (Oeiras), e de ter regressado em 2011, ao festival Sudoeste (Zambujeira do Mar).

