O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afiançou hoje que as forças de segurança nacionais “não têm instruções para confrontar os estudantes”, antes do novo dia de mobilização agendado para quinta-feira, para exigir mais recursos para a educação.
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07/10/2026
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Lusa
Numa declaração na sede do Governo, na véspera da nova convocatória para manifestações do setor educativo, Lecornu afirmou que “a revolta dos jovens não surge do nada” e que “ninguém pode ficar indiferente às suas preocupações”, expressas através de bloqueios de escolas e manifestações nos últimos dias para exigir melhores condições no ensino público – não só nas escolas secundárias como nas universidades.
O chefe do Governo comprometeu-se ainda a apresentar “as primeiras decisões do Governo [para responder às reivindicações dos estudantes] no final de outubro”.
“Eram crianças ou estavam a entrar na adolescência durante a pandemia [de covid-19]; pedimos-lhes que fizessem um esforço considerável e, desde então, assistiram a guerras, a alterações climáticas e, por vezes, aos seus entes queridos em dificuldades”, afirmou Lecornu, pedindo-lhes que, apesar destas “inquietações”, “escolham o seu rumo e olhem para o futuro com confiança”.
A plataforma de consulta lançada na segunda-feira pelo ministro da Educação para recolher propostas de melhoria já registou mais de 40 mil contributos, indicou, sublinhando que tal número reflete “uma expectativa”, sobretudo no que diz respeito à organização do horário escolar e às condições materiais nas escolas secundárias.
Segundo disse, os contributos dos alunos do ensino secundário devem “traduzir-se em propostas e alterações” para quando o orçamento para a educação for analisado na Assembleia Nacional, o que está “previsto para 12 de novembro”.
Reiterou que o projeto de Orçamento do Estado francês para 2027 prevê aumentar o financiamento nacional para a educação para 64 mil milhões de euros, “o que representa um acréscimo de 1,2 mil milhões de euros num ano”.
O primeiro-ministro anunciou ainda o lançamento de “cinco projetos” centrados nomeadamente na substituição dos professores ausentes, nas condições materiais das escolas, na organização dos horários escolares e na transparência do sistema de acesso à universidade (Parcoursup).
Quanto à polémica sobre a atuação das forças de segurança na repressão de distúrbios nas escolas secundárias — que fizeram dezenas de feridos, tanto entre os agentes como entre os manifestantes —, Lecornu afirmou também que estas “não receberam instruções para enfrentar os estudantes”.
O governante defendeu a atuação da polícia e da guarda-republicana perante a mobilização de estudantes do ensino secundário.
“Ao contrário do que alguns dizem e repetem, os agentes da autoridade não receberam instruções para confrontar estudantes do secundário”, afirmou Lecornu, manifestando-lhes simultaneamente o seu “apoio”.
“A sua missão é proteger a propriedade, mas acima de tudo as pessoas, fazer cumprir a lei e garantir o acesso às escolas. Devem atuar com proporcionalidade para consegui-lo, muitas vezes num contexto muito difícil”, acrescentou.
O chefe do executivo francês não fez qualquer referência à decisão hoje anunciada pelo seu Governo de suspender o uso de granadas de dispersão e atordoamento durante as operações policiais contra bloqueios de acesso às escolas, enquanto se investiga o caso de um estudante de 15 anos que sofreu a amputação de uma mão em Lens, norte do país, esta semana.

