Leïla Olivesi, Tyreek McDole e SF Jazz Collective no festival Angrajazz

Leïla Olivesi, Tyreek McDole e SF Jazz Collective no festival Angrajazz

A 26.ª edição do festival Angrajazz, que decorre de 2 a 04 de outubro, em Angra do Heroísmo, nos Açores, apresenta nomes como Leïla Olivesi, Tyreek McDole, Aaron Parks, Walter Smith III e SF Jazz Collective.

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07/07/2026
por

Lusa

“Fomos convidados há 27 anos para organizar um festival de jazz (…). Pensamos que cumprimos absolutamente os objetivos que tínhamos, que era apresentar um festival de grande qualidade e que marcasse o calendário. E, de facto, hoje em dia ninguém tem dúvidas de que o Angrajazz está no calendário nacional do jazz”, afirmou José Ribeiro Pinto, da Associação Cultural Angrajazz, na apresentação do cartaz.

 

“Todos os grandes amantes do jazz sabem que existe o Angra Jazz e todos eles gostariam de vir ao Angra Jazz. E muitos vêm, felizmente. Nós temos cerca de 27% de público que vem de fora da ilha para assistir ao Angra Jazz”, acrescentou.

Este ano, o festival, que decorre em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, assinala o centenário do nascimento de “duas figuras absolutamente incontornáveis na história do jazz”, Miles Davis e John Coltrane.

O festival arranca no dia 02 com a Orquestra Angrajazz, “a orquestra amadora mais antiga do país”, que este ano convida músicos do Conservatório de Angra do Heroísmo e da Escola de Jazz do Hot Club.

Com direção de Pedro Moreira, a orquestra vai revisitar os álbuns “Miles Ahead” e “Porgy and Bess”, que resultaram de uma parceria entre o trompetista Miles Davis e o compositor Gil Evans.

Ainda na primeira noite do festival sobe ao palco do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo o octeto da pianista francesa Leïla Olivesi, com o projeto “African Rhapsody”.

José Ribeiro Pinto sublinhou que a pianista e compositora, que tem uma “grande carreira”, foi “eleita várias vezes ‘Músico do Ano’ em França”.

A segunda noite abre com o pianista e compositor português Pedro Neves, que, depois de vários discos gravados em trio, lançou “Northern Train”, o seu primeiro álbum em quarteto, “muito aplaudido pela crítica”.

Segue-se o quarteto do cantor haiano-americano Tareek McDole, “eleito pela revista Jazz Magazine revelação do ano de 2025” e vencedor do prémio Jazz Vocal Sarah Bogdan, em 2023.

No último dia, o festival acolhe o duo do pianista Aaron Parks e do saxofonista Walter Smith III, dos Estados Unidos, que tocam baladas de John Coltrane e composições em que se inspiraram na música do saxofonista norte-americano.

“Eles formaram este grupo para celebrar os 100 anos do John Coltrane, a pedido de uma organização belga, e vêm fazer quatro concertos à Europa. E ofereceram-se para vir cá. Portanto, isto demonstra bem a importância que o Angrajazz tem na cena do jazz, já não só na nacional como na internacional”, revelou Miguel Cunha, da Associação Cultural Angrajazz.

O festival encerra novamente com sons dos Estados Unidos, com o SF Jazz Collective, que, este ano, convidou o saxofonista Chris Potter para reunir um septeto e compor música inspirada na exposição “About Place”, dos Museus de Belas Artes de São Francisco.

“O New York Times diz que é a banda contemporânea mais importante do jazz”, vincou José Ribeiro Pinto.

Além dos três dias de festival, a associação promove ainda o Jazz na Rua, na semana que o antecede, em que leva bandas locais e nacionais a cafés e locais públicos da cidade de Angra do Heroísmo.

No total, o orçamento ronda os 120 mil euros, com apoios públicos e privados e uma receita de bilheteira prevista de 20 mil euros.

José Ribeiro Pinto lamentou a imprevisibilidade da atribuição de apoios do Governo Regional dos Açores, alegando que só é possível organizar o festival porque a associação trabalha de forma gratuita e tem uma “almofada” para fazer face ao tempo de espera.

“Nós, neste momento, não fazemos a mínima ideia se o Turismo [direção regional] vai dar alguma coisa ou não vai dar. Nos últimos anos, deu 25 mil euros. Este ano, diz-se que vai baixar, que não vai dar. Não sabemos e são 25 mil euros”, apontou.

Com maior previsibilidade, a organização alega que poderia trazer grupos maiores ou nomes mais sonantes a um melhor preço, mas José Ribeiro Pinto não acredita que o festival deixe de ser apoiado.

“Vai ser preciso ter muita coragem para não apoiar o Angrajazz, porque o Angrajazz é uma instituição. Toda a gente sabe, em toda a região, em todo o país e pelo mundo fora. Por exemplo, a gente todos os dias recebe emails de músicos estrangeiros a oferecerem-se para vir tocar ao Angrajazz”, frisou.

Este ano, o preço dos bilhetes aumentou um euro. O ingresso diário custa entre 16 e 23 euros e o pacote para os três dias entre 41 e 64 euros, havendo ainda bilhetes diários de sete euros para maiores de 65 anos e menores de 25.

“Temos sempre muito cuidado na conservação dos públicos e vivemos numa região que não é propriamente rica. Temos plena consciência de que os preços que apresentamos aqui são praticamente irrisórios quanto a outros festivais ou outros palcos nacionais, mas também temos consciência do público que temos e das limitações do público”, justificou Luís Mendes, da associação Angrajazz.

O município de Angra do Heroísmo apoia o festival em 30 mil euros e antecipa o valor estimado da bilheteira de 20 mil euros.

“É um apoio bastante considerável. É um apoio que é dado pelo município também tendo a noção da importância que este festival tem pela forma como consegue atrair o público, não só de cada ilha, mas também proveniente de fora da ilha Terceira”, salientou o vice-presidente da autarquia, Guido Teles.

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