Líbano pede UE para criar missão de segurança após saída da FINUL

Líbano pede UE para criar missão de segurança após saída da FINUL

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, anunciou que o Líbano convidou formalmente os 27 países a criarem uma nova missão no país, face à retirada da FINUL em 2027. Em Beirute, Kallas confirmou que o planeamento da missão europeia já foi concluído e que o convite das autoridades libanesas permite avançar com o seu estabelecimento.

© Scott Peterson/Getty Images


08/10/2026
por

Lusa

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, anunciou hoje que o Líbano convidou formalmente os 27 a criarem uma nova missão no país face a retirada da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), prevista para 2027.

 

Em Beirute, onde de se encontra de visita, confirmou que o planeamento da missão europeia já foi concluído e que Bruxelas recebeu o convite formal das autoridades libanesas necessário para avançar com o seu estabelecimento.

O convite passa pela criação de uma nova missão de segurança no Líbano para aconselhar e formar as Forças Armadas e as forças de segurança libanesas, uma iniciativa que Bruxelas poderá aprovar na próxima segunda-feira.

“Fico satisfeita por contarmos agora com o convite formal das autoridades libanesas, que nos permite avançar”, afirmou numa conferência de imprensa a chefe da diplomacia europeia, que manifestou confiança em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE aprovem formalmente a missão durante a sua reunião da próxima segunda-feira, no Luxemburgo.

A missão europeia terá como objetivo aconselhar e prestar assistência às Forças Armadas libanesas e às forças de segurança interna para reforçar o controlo do território, a vigilância das fronteiras e a segurança interna do país, em conformidade com a resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

No entanto, Kallas indicou que a iniciativa não implicará uma substituição da FINUL, cujo mandato terminará em 2027, nem se limitará a atuar no sul do país, onde estão atualmente destacados os capacetes azuis da ONU.

O sul do Líbano é tido como um reduto do movimento Hezbollah, pró-iraniano, que lhe permite atacar o norte de Israel, país que tem efetuado inúmeras incursões militares na região.

Questionada sobre o futuro da segurança no sul do Líbano, Kallas defendeu a necessidade de manter uma presença internacional depois de concluída a missão das Nações Unidas, embora tenha reconhecido que as características e o mandato que uma eventual força de substituição deveria ter ainda estão a ser debatidos.

Neste sentido, assinalou que os Estados-membros da UE que atualmente contribuem para a FINUL poderão participar numa futura força internacional, embora tenha insistido que qualquer destacamento deste tipo deverá contar com um mandato das Nações Unidas e dos parlamentos nacionais.

“O melhor seria prorrogar o mandato da FINUL porque, como disse, um vazio de segurança não é algo que queiramos ver”, lamentou a Alta Representante, que recordou o papel desempenhado pela missão das Nações Unidas durante quase cinco décadas.

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