Lisnave confiante na continuidade nos estaleiros após concessão em 2027

Lisnave confiante na continuidade nos estaleiros após concessão em 2027

O administrador-delegado da Lisnave, Nuno Santos, manifestou confiança na continuidade da empresa nos estaleiros da Mitrena, em Setúbal, após o concurso público internacional para nova concessão em 2027, defendendo o alargamento da atividade à construção e reciclagem naval.

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28/10/2026
por

Lusa

O administrador-delegado da Lisnave, Nuno Santos, manifestou hoje confiança na continuidade da empresa nos estaleiros da Mitrena, em Setúbal, após o concurso público internacional para nova concessão em 2027, defendendo o alargamento da atividade à construção e reciclagem naval.

 

“A Lisnave tem passado e tem projetos para o futuro. Nós temos ideias sobre o desenvolvimento daquele estaleiro e sobre o que pode ser ali feito, mas que hoje não pode ser, porque o contrato atual de concessão não nos permite”, afirmou o responsável da empresa de reparação naval.

Nuno Santos falava no final de uma sessão promovida pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), sobre o futuro dos estaleiros da Mitrena, competitividade do setor e oportunidades associadas às novas estratégias, portuguesa e europeia, para a indústria naval.

“Acho que temos todas as condições para fazermos parte da solução na futura concessão da Lisnave”, acrescentou o responsável, convicto de que o historial económico, financeiro, técnico e comercial da empresa e os projetos de desenvolvimento que pretende concretizar constituem uma vantagem para a continuidade da Lisnave.

Nuno Santos lembrou que a atual concessão limita a atividade à reparação, manutenção e modernização de navios, adiantando que a empresa pretende alargar a intervenção à construção e reciclagem naval, “completando o ciclo de vida das embarcações, bem como à produção de equipamentos marítimos e estruturas de grandes dimensões que necessitem de ser construídas junto à água”.

Questionado sobre a possibilidade de trabalhar para a indústria militar, Nuno Santos confirmou a disponibilidade da Lisnave para esse mercado, recordando que a “estratégia europeia considera os estaleiros navais ativos estratégicos de dupla utilização, civil e militar, o que poderá justificar restrições à participação de empresas de países que não integram a NATO” na futura concessão.

Por outro lado, o responsável alertou para as dificuldades de competitividade da reciclagem naval europeia perante países asiáticos, como o Bangladesh, a Índia e o Paquistão, onde, segundo afirmou, as exigências ambientais e de segurança são menos rigorosas, mas disse estar confiante no desenvolvimento da reciclagem naval na Europa, destacando o potencial de recuperação do aço dos navios em fim de vida.

Sobre os resultados da Lisnave previstos para 2026, Nuno Santos admitiu que deverão ficar aquém das expectativas, devido à instabilidade geopolítica internacional e às tempestades registadas nos primeiros meses do ano, que condicionaram as operações nos estaleiros.

“Tivemos menor atividade no primeiro semestre do ano. E as condições meteorológicas impediram a realização de manobras náuticas, dificultando a entrada e saída de navios das docas e provocando atrasos sucessivos nas operações de reparação”, justificou.

O presidente da APSS, Vítor Caldeirinha, também em declarações aos jornalistas, defendeu a diversificação da atividade dos estaleiros da Mitrena, apontando para a “construção de embarcações civis e militares, navios não tripulados, plataformas flutuantes para energia eólica offshore, modernização de navios e desmantelamento naval”.

Vítor Caldeirinha lembrou que estas atividades estão previstas na estratégia nacional Portos 5+, que prevê um novo ciclo de investimento, crescimento e competitividade no setor portuário, e mostrou-se confiante de que os estaleiros da Mitrena, com os investimentos previstos na futura concessão, terão condições para acolher estas atividades e promover um crescimento significativo do emprego.

“Esperamos que, direta e indiretamente, os postos de trabalho cresçam bastante, pelo menos que dupliquem”, afirmou.

Relativamente ao concurso internacional para a concessão dos estaleiros da Mitrena, previsto para o segundo trimestre de 2027, Vítor Caldeirinha disse que a APSS está na fase de adjudicação dos estudos necessários à preparação das peças técnicas e do caderno de encargos, adiantando que já há manifestações de interesse de várias empresas.

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