O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy está a tentar unir a direita tradicional francesa em torno de Marine Le Pen, candidata de extrema-direita, com o objetivo de equilibrar o projeto da União Nacional (RN).
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28/10/2026
por
Lusa
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy está em manobras para o seu partido de direita tradicional, Os Republicanos, apoiar Marine Le Pen, candidata de extrema-direita que dá como vencedora certa das presidenciais, noticiou hoje o semanário Le Canard Enchaîné.
Segundo o jornal satírico, Sarkozy recebeu vários dirigentes de Os Republicanos, incluindo o presidente da formação e candidato às eleições presidenciais de abril e maio de 2027 em França, Bruno Retailleau, para sugerir uma aliança com o partido de extrema-direita União Nacional (RN, na sigla em francês).
O seu argumento é que Le Pen vencerá o escrutínio e que, perante tal cenário, o melhor será fazer uma aliança de todas as forças de direita para equilibrar o projeto da RN.
Uma sugestão que Retailleau, apesar de não conseguir subir nas sondagens, não parece disposto a aceitar.
Em declarações à estação televisiva CNews, o candidato presidencial de Os Republicanos e ex-ministro do Interior afastou hoje qualquer aproximação a Le Pen, por considerar que “o projeto dela não é bom para França”.
Embora reconheça a existência de pontos de convergência, em matérias como a segurança e a imigração, Retailleau sustentou que o programa da extrema-direita francesa assenta em “fomentar os subsídios” que acabarão por “arruinar o país”, uma ideia que choca com o seu próprio projeto liberal.
A mensagem de Sarkozy, contudo, parece ter surtido efeito junto de outras figuras da direita, como o presidente da Câmara de Cannes, David Lisnard, um candidato dissidente à presidência de França que surge um pouco abaixo de Retailleau nas sondagens.
De acordo com Le Canard Enchainé, Lisnard estará disposto a aproximar-se da extrema-direita, num plano engendrado por Sarkozy e pelo magnata Vincent Bolloré, de extrema-direita.
Marine Le Pen anda há semanas a enviar mensagens à direita tradicional francesa para que se junte ao seu projeto para a chefia do Estado francês.
No passado domingo, no comício em que lançou a sua campanha, em Orleães, afirmou que, se chegar ao Palácio do Eliseu, nomeará um Governo de unidade nacional sob o comando do seu braço-direito, Jordan Bardella.
O semanário salienta que uma das motivações que levam Nicolas Sarkozy a apoiar Le Pen é a possibilidade de obter uma amnistia da líder de extrema-direita, caso esta conquiste a presidência.
Sarkozy conhecerá a 30 de novembro a sentença em segunda instância no caso por financiamento ilegal da sua campanha presidencial de 2007 com dinheiro do regime líbio de Muammar Kadhafi, pelo qual, em primeira instância, foi condenado a cinco anos de prisão, o que o levou a passar três semanas atrás das grades, uma experiência que nenhum ex-presidente francês tinha conhecido antes.
O Ministério Público pede o agravamento da pena imposta em primeira instância, para sete anos de prisão.
Esta seria a segunda condenação de Sarkozy a prisão efetiva, somando-se à pena de um ano por tráfico de influências e corrupção, e aos seis meses impostos pelo financiamento ilícito da sua campanha de 2012.

