Logística, atividades e malabarismo ocupam tempo na Praça D. João I

Logística, atividades e malabarismo ocupam tempo na Praça D. João I

O protesto pela habitação na Praça D. João I, no Porto, mantém-se com logística, atividades e malabarismo, enquanto os manifestantes aguardam por respostas do presidente da Câmara.

© Wikimedia Commons/ AntoniusJ


19/10/2026
por

Lusa

O tempo de protesto pela habitação na acampada na Praça D. João I, no Porto, é hoje de manhã ocupado com logística, atividades, malabarismo e “muitas perguntas” de turistas, perante o olhar atento de comerciantes da zona.

 

Em declarações à Lusa, Diana Lourenço, uma das porta-vozes do movimento que desde dia 10 está em protesto naquela praça do centro da cidade, explicou que a noite passada “foi mais dura”.

“Foi uma noite mais complicada, mais dura por causa do frio. O descanso não é completo porque estamos sempre com receio da ação da polícia, se há, ou não há, estamos sempre vigilantes”, explicou.

Pelas 11:00, disse, “estão montadas cerca de 80 tendas, de forma organizada, limpa e pacífica”.

À volta da praça, a vida da cidade continua. Há turistas, curiosos, e muitas perguntas: “Sabemos que há protestos por várias cidades da Europa, mas não pensávamos encontrar tendas aqui”, disse à Lusa uma turista sueca, de visita a Portugal “pelo bom tempo e pela comida”.

A curiosidade também tem tenda montada na praça: “Fazem-nos muitas perguntas. Turistas, de vários países, miúdos, a população, em geral, tem sido bastante simpática connosco, trazem comida, palavras de apoio e um ou outro cobertor”, contou Ana, que esta noite dormiu numa das tendas da acampada.

Como se passa aqui o tempo durante o dia? “A preparar a logística da alimentação, da segurança, da limpeza. Estamos bastante organizados por grupos e vamos revezando-nos para que nada falta”, explicou Diana Lourenço.

No centro da praça um grupo faz malabarismo, “ajuda a passar o tempo e a entreter, a manter o bom espírito”, explicam.

“Não queremos ser vistos como ocupas, temos estudos, temos trabalhos, temos ideias e estamos a lutar pelo nosso futuro. Não somos um bando de desocupados, como alguns querem fazer acreditar”, esclareceu Pedro Ramos, outro dos manifestantes.

O protesto é também seguido de perto pelos comerciantes da zona, uns preocupados que haja violência, outros solidários, todos surpreendidos: “Tive algum receio que isto se tornasse um circo, mas não. Eles são pacatos. Pedem para ir ao quarto de banho, não fazem consumo mas pronto”, salientou uma empregada de um café na zona.

“Não recorremos muito aos cafés daqui porque não podemos estar a pagar dois, três ou quatro euros por um café para irmos à casa de banho. São estes os preços daqui. Não somos turistas e este é um custo que não podemos suportar”, queixou-se Amílcar.

O sol começou a aquecer a pedra da praça, entre os manifestantes comenta-se o frio, comenta-se o que os espera e aguarda-se pela assembleia popular pela habitação, marcada para o final da tarde.

“Vamos ver hoje o que o grupo vai decidir”, disse Amílcar.

O tempo é também ocupado com a espera pela decisão do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, sobre se vai ao local falar com os manifestantes: “Foi decidido enviar o convite ao presidente da Câmara. Vamos ver o que ele decide, nós estamos prontos e dispostos a dialogar, queremos respostas soluções”, explicou a porta-voz.

No domingo à tarde, em declarações aos jornalistas, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) disse aguardar uma resposta do movimento pela habitação ao convite feito para uma reunião, estando as portas da autarquia “sempre abertas”.

“Na quinta-feira, o meu gabinete contactou os organizadores [da manifestação] no sentido de podermos promover uma reunião para podermos dialogar sobre o problema da habitação e o convite mantém-se”, afirmou o autarca.

O movimento pela habitação, que se mantém na Praça D. João I desde o dia 10, prolongou no domingo à noite o pré-aviso de manifestação até dia 31 de dezembro.

“Fizemos um pré-aviso para ficarmos aqui de 21 de outubro [quarta-feira] a 31 de dezembro de 2026. O nosso objetivo não é ficar até 31 de dezembro é conseguir soluções e um entendimento”, disse aos jornalistas a porta-voz do movimento, Maria João Calisto.

A porta-voz assinalou que o atual pré-aviso de manifestação é até terça-feira, daí a necessidade de o prolongar.

“É muito mau sinal se tivermos de ficar aqui até dia 31 de dezembro”, frisou Maria João Calisto.

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