O presidente Lula da Silva divulgou uma carta aberta às famílias evangélicas, enquanto Flávio Bolsonaro reforçou a presença no Rio Grande do Sul, reduto bolsonarista, em meio à corrida presidencial.
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14/10/2026
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Lusa
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, divulgou hoje uma carta aberta às famílias evangélicas à procura de apoio, enquanto o seu adversário nas presidenciais, Flávio Bolsonaro, reforçou a presença no Rio Grande do Sul, reduto bolsonarista.
No documento “Carta de Luiz Inácio Lula da Silva às Famílias Evangélicas brasileiras, divulgado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Lula sugere aos evangélicos que peçam “discernimento a Deus” para votar.
Lula, que enfrenta resistência de grande parte dos eleitores dessa confissão religiosa, diz na carta que é cristão, que respeita todas as religiões, cita valores da família, faz menção a Deus e usa várias expressões de fé numa tentativa de aproximação com os evangélicos.
Uma sondagem da Quaest divulgada em 28 de setembro mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto entre os evangélicos na primeira volta, e Lula, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), com 27%.
Evangélicos e católicos representam 79% da população brasileira com 16 anos ou mais, sendo que 50% se declaram católicos e 29% evangélicos, segundo uma pesquisa recente do Instituto de Estudos da Religião (ISER), em parceria com a Quaest.
“Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei”, escreveu Lula.
“Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos”, realçou.
Ainda na carta, Lula exaltou alguns feitos da sua gestão que “abençoam” as famílias evangélicas e listou a proibição e combate às apostas online, iniciativas de proteção às mulheres, combate à violência e ao crime organizado, e faz ainda referência à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada de trabalho, a ser votada ainda hoje no Senado brasileiro.
“As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração”, completou.
Já o senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para ironizar sobre a carta do seu adversário na corrida a Presidente do Brasil às famílias evangélicas, e escreveu: “Lula escreve para evangélicos e diz: ‘Eu não sou o Lula!'”.
Flávio falava num comício no Rio Grande do Sul, ao lado do governador eleito pelo Partido Liberal (PL), Luciano Zucco, para reforçar a presença no reduto bolsonarista antes da segunda volta das eleições, marcada para dia 25.
Como teve 2,2 milhões de votos a mais que Lula na primeira volta em todo o Brasil, o objetivo da agenda é não desmobilizar os apoiantes e evitar o clima de “já ganhou”, perante a intensificação das marchas e grandes comícios realizados pela esquerda em todo o país nos últimos dias.
Além do comício, Flávio também terá uma reunião com empresários e líderes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Também pelas redes sociais, o candidato presidencial do PL recuou e anunciou hoje que irá ao debate organizado pela TV Band no próximo domingo onde promete “esfregar a verdade” na cara do adversário.

