A presidente do Parlamento Europeu disse hoje que a instituição vai responder “com todos os meios ao seu alcance” após cerca de 60 eurodeputadas terem sido vítimas de imagens geradas por inteligência artificial em ‘sites’ de pornografia.
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05/10/2026
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Lusa
“Fui informada de que cerca de 60 membros desta casa foram alvos de ‘deepfakes’ [imagens, vídeos ou áudios gerados por inteligência artificial] em ‘sites’ de pornografia que publicam imagens falsas e manipuladas, sobretudo de mulheres”, afirmou Roberta Metsola no início da sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo.
A presidente do PE frisou que “a violência contra as mulheres, tanto ‘offline’ como ‘online’ é inaceitável e deplorável” e garantiu que a instituição que lidera vai reagir com “todos os meios ao seu alcance”.
“Não se trata apenas de imagens, por muito perturbadoras que sejam para todos nós. Trata-se de uma tentativa de visar e atacar políticos eleitos que estão a cumprir o seu dever”, denunciou, garantindo que quem está por detrás destas imagens “vai falhar” nos seus objetivos.
“Em vez de nos humilhar, vai tornar-nos mais fortes. Em vez de nos silenciar, vai fazer-nos falar ainda mais alto. Em vez de nos assustar, vai tornar-nos ainda mais determinados”, disse, perante os aplausos dos eurodeputados que se encontravam no hemiciclo.
Roberta Metsola considerou que este tipo de situações não se pode tornar o “novo normal” e insistiu que o PE vai fazer “tudo o que tiver ao seu alcance para o impedir”.
A presidente do PE recordou que, a partir de 02 de dezembro, os sistemas de inteligência artificial que geram imagens sexuais vão ser proibidos na UE, mas avisou que “a lei não vale o papel em que está escrita se não for aplicada”.
“Por isso, os Estados-membros têm de se preparar desde já. Têm de garantir que a proibição é cumprida, reforçar a aplicação do Regulamento dos Serviços Digitais e transpor a diretiva relativa ao combate à violência contra as mulheres, que criminaliza a divulgação pública, sem consentimento, de ‘deepfakes’ sexuais”, apelou.
Para Roberta Metsola, a UE deve isso “a todas as pessoas que foram alvo destes ataques e a todas as jovens que estão a iniciar um percurso político e que se perguntam se há lugar para elas na política e a que preço”.
“A nossa resposta tem de ser clara: vocês pertencem aqui, a vossa voz pertence aqui e nós estaremos ao vosso lado”, disse, recebendo aplausos da câmara.

