O Presidente da Argentina, Javier Milei, visitou Madrid e insultou o primeiro-ministro Pedro Sánchez, enquanto se reuniu com dirigentes do PP e Vox.
© Eduardo Parra/Europa Press via Getty Images
21/10/2026
por
Lusa
O Presidente da Argentina, Javier Milei, entrou hoje na campanha eleitoral espanhola com insultos ao socialista e primeiro-ministro Pedro Sánchez e encontros com dirigentes do Partido Popular (PP, direita) e Vox (extrema-direita) durante uma visita a Madrid.
Milei faz hoje a sétima visita a Espanha (nenhuma delas oficial ou de Estado) desde que chegou à presidência da Argentina, em dezembro de 2023, e arrancou a agenda do dia com uma conferência em Madrid que dedicou ao “sinistro socialismo” e em que qualificou Sánchez como “indecente ditador” ou “ladrão corrupto”, entre outros insultos.
Em paralelo, disse ser amigo do presidente do Vox, Santiago Abascal, e da presidente do governo regional de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, do PP.
Ao contrário do que ocorreu nas anteriores seis visitas a Espanha, Javier Milei não será desta vez recebido por Santiago Abascal, com o partido a justificar que o presidente do Vox “tem de fazer campanha” no terreno para as legislativas antecipadas de 29 de novembro.
Milei vai reunir-se com o vice-presidente do Vox Ignacio Garriga, com fontes citadas pelos meios de comunicação social a revelarem que desta vez, em véspera de eleições, Abascal prefere não ser visto ao lado do Presidente da Argentina para não ser associado aos cortes sociais e à “imagem da motosserra” do líder do país da América do Sul.
Quanto a Isabel Díaz Ayuso, voltará a receber Milei depois de em junho de 2024 o ter homenageado numa cerimónia na sede do governo regional em que lhe entregou a Medalha Internacional da Comunidade de Madrid.
A direção nacional do PP não se juntou a essa homenagem e hoje também não está previsto qualquer encontro do Presidente da Argentina com outros dirigentes do partido.
Quem se manifestou publicamente sobre a visita de Milei foi o próprio Pedro Sánchez e o Partido Socialista Espanhol (PSOE), aproveitando-a para fazer campanha.
Ao início da manhã, o PSOE colocou uma lona na fachada da sede do partido em Madrid com uma mensagem em que usa a palavra que o Presidente argentino utiliza pejorativamente para se referir à esquerda, “zurdos”, que literalmente significa “canhotos” e que pode ser traduzida, no contexto em que a usa o Presidente argentino, por “esquerdistas” ou “esquerdalhas”.
“Olá, Milei. Os esquerdistas e as esquerdistas dão-te as boas-vindas a Espanha, o país que mais cresce na Europa”, lê-se na lona do PSOE.
Em paralelo, Pedro Sánchez mudou hoje a fotografia de perfil que tem nas redes socais para uma imagem com a frase “zurdos y orgullosos” (“esquerdistas e orgulhosos”) e divulgou um vídeo em que diz: “Há quem pense que nos insulta chamando-nos esquerdistas. Se esquerdista é subir as pensões, subir o salário mínimo todos os anos, defender o direito a abortar das mulheres ou dizer não à guerra e sim à paz, então sim, sou esquerdista, com muita honra”.
Depois da conferência da manhã, organizada pela associação e ‘think tank’ Forum Nova Economia, e antes do encontro com Isabel Díaz Ayuso ao final da tarde, Milei seguiu para a Universidade Rei Juan Carlos, em Madrid, para participar numa iniciativa dedicada à economia austríaca.
Várias organizações de estudantes convocaram concentrações para o local de protesto contra a presença de Milei na universidade.
Na conferência da manhã, além dos insultos a Sánchez, Milei apelou aos espanhóis para tirarem os socialistas do poder “aos pontapés” em 29 de novembro e considerou que “os partidos de esquerda” na Europa são os responsáveis pela estagnação económica que considera haver no continente.
Milei referiu-se também às políticas de imigração da esquerda europeia e de Espanha em particular e considerou que Sánchez, por motivos eleitorais, porque “cada imigrante é um voto”, incentivou uma “invasão” de Ceuta, a cidade espanhola no norte de África onde no final de julho entraram mais de 70.000 pessoas ilegalmente.
“A estagnação económica, combinada com a irresponsabilidade migratória, traçam um caminho de decadência muito difícil de inverter no futuro”, defendeu.
A visita de Milei a Espanha é só de um dia e termina hoje, com o Presidente argentino a dizer que ainda não sabe se regressará a Madrid em 4 e 5 de novembro, para a Cimeira Ibero-americana deste ano.
Em todas as sete visitas que já fez a Espanha, Milei nunca se reuniu ou foi recebido pelas duas autoridades máximas do país, o primeiro-ministro e o Rei, Felipe VI.

