O ministro da Defesa de Israel ameaçou o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, com ataques, apesar do cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza há um ano.
© Reuters
11/10/2026
por
Lusa
Khalil al-Hayya
O ministro da Defesa de Israel avisou hoje que o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, sofrerá o mesmo destino que os seus antecessores, mortos em ataques israelitas, apesar do cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza há um ano.
“Eliminámos os líderes do Hamas em Gaza. A vez de al-Hayya também chegará, e ele juntar-se-á a Haniyeh e aos seus capangas nas profundezas do inferno”, ameaçou Katz nas redes sociais.
O ministro israelita criticou os líderes da Turquia por continuarem a apoiar os “assassinos e violadores do Hamas” numa mensagem acompanhada de três fotografias.
Uma remonta a 2024 e mostra um encontro entre o antigo líder político do Hamas Ismael Haniyeh, morto no mesmo ano num ataque atribuído a Israel em Teerão, e o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan.
Outra foto, datada de julho de 2026, mostra al-Hayya e o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, e a terceira é uma fotomontagem que retrata as “portas do inferno”, entre rochas vulcânicas e lava, acompanhada da legenda em hebraico “2027: Encontro Haniyeh-al-Hayya”.
“Erdogan continua a estender o tapete vermelho a estes criminosos e a apoiar as atividades terroristas que orquestram a partir da Turquia, juntamente com a Irmandade Muçulmana, contra Israel e importantes nações muçulmanas da região”, criticou Katz.
Em agosto, Israel avisou a Turquia que não vai permitir o aumento da presença militar turca na Síria, um dia depois de Israel bombardear uma base aérea no norte do país, sob justificação da alegada presença de uma delegação de Ancara.
A Turquia tem sido um dos mais países mais críticos da ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, tendo também atuado como mediador no acordo de cessar-fogo no enclave palestiniano, em vigor desde 10 de outubro de 2025.
Israel e Hamas têm trocado acusações de violações da trégua desde então e os ataques israelitas têm sido quase diários, ao mesmo tempo que as negociações para as próximas etapas do processo de paz, num roteiro proposto pelos Estados Unidos, continuam num impasse.
Num comunicado conjunto hoje divulgado na imprensa israelita, o exército e o serviço de segurança interna (Shin Bet) anunciaram que destruíram infraestruturas militares do Hamas em vários ataques na Faixa de Gaza ao longo do último dia, incluindo três depósitos de armas, um local de lançamento de ‘rockets’ e um centro de comando de vigilância.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo grupo islamita Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que causou mais de 74 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Desde o início do atual cessar-fogo, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizam mais de 1.400 palestinianos mortos em ataques das forças israelitas.

