O ministro da Saúde de São Tomé admitiu os maus resultados do Índice Ibrahim de Governação Africana, que classificou o país como o segundo com maior deterioração no setor da saúde, mas destacou melhorias recentes.
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04/11/2026
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Lusa
O ministro da saúde são-tomense admitiu hoje os maus resultados do Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG), que o classificou como o segundo país africano com maior deterioração da década no setor da saúde, mas destacou melhorias recentes.
“É verdade. Nos últimos 10 anos temos vindo a regredir em alguns parâmetros da saúde. Noutros melhoramos, mas nos outros regredimos”, admitiu Celso Matos em entrevista à Lusa em São Tomé.
No entanto, o ministro sublinhou que “este resultado publicado refere-se aos últimos dez anos”, 2016 a 2025, enquanto o executivo que integra assumiu as funções apenas nos últimos dois anos.
“É importante que fique bem claro, não é deste Governo. E, aliás, eu tenho aqui uma imagem que mostra isso, que em 2024 é que teve maior deterioração. (…) Em 2025 houve uma estabilização”, refere Celso Matos.
Entre os progressos alcançados, o médico ortopedista, que foi bastonário da Ordem dos Médicos de São Tomé e Príncipe, destacou melhorias nos indicadores de luta contra o paludismo: em 2024 apontavam-se mais de sete mil casos, quase o dobro relativamente ao ano anterior, mas em 2025, “houve uma redução” para quatro a cinco mil casos.
Celso Matos apontou ainda melhorias no controlo de doenças transmissíveis, nomeadamente o HIV, onde disse haver “muito bons resultados”, assim como no acesso aos cuidados de saúde.
“Nós temos postos de saúde em quase todo o país. Temos estado a aumentar o número de médicos para os distritos e nós temos uma orientação virada para a saúde primária em que nossa missão é ter um médico por cada posto de saúde nesse país, e não falta muito para a gente atingir essa meta”, sublinhou.
“Isso é precisamente para melhorar, dar o acesso às pessoas à assistência médica. Precisamos sim, a nível primário, de dotar os serviços de mais medicamentos, de mais meios de diagnóstico”, acrescentou.
Sobre os indicadores que deterioraram ou continuam por melhorar, Celso Matos destacou que muitos não dependem exclusiva e nem principalmente do setor da saúde.
Sobre o controlo de doenças não transmissíveis, Matos admitiu que “é um problema sério na saúde de São Tomé e Príncipe”, destacando que dispararam os casos de Acidente Cardio Vasculares (AVC), diabetes e pressão arterial, assim como outras doenças cuja origem estão na alimentação, higiene e ausência de exercício físico.
“Nós temos consciência de que as doenças não transmissíveis são as mais dispendiosas para o sistema. Além da repercussão para a saúde da pessoa, são as mais dispendiosas. E o nosso país não tem dinheiro para (…) dar a qualidade de assistência que as pessoas precisam”, disse.
“Nós criámos um departamento de doenças crónicas não transmissíveis. Esse departamento tem uma equipa, elaborou-se um plano estratégico para doenças não transmissíveis, elaborou-se um plano estratégico para doenças oncológicas, formação de pessoal para registo oncológico, para gestão de nível primário, foram formados os administradores de nível primário para melhorarmos”, acrescentou o ministro da Saúde.
“Mas é importante sinalizar que esses planos estratégicos todos, para serem implementados, precisa de financiamento e este é um grande problema (…) porque o sistema de saúde de São Tomé e Príncipe, embora muito se gaste (…), é um sistema gratuito, entre aspas, para o que é realmente o custo daquilo que o Estado põe”, sublinhou o ministro da Saúde.
Segundo Celso Matos, a falta de financiamento tem sido o entrave para várias ações, como a modernização dos equipamentos hospitalares, permanência de recursos humanos, aquisição atempada de medicamentos e consumíveis.
No entanto, garantiu que irá deixar documentos e orientações delineadas para o próximo ministro da Saúde que deverá assumir as funções nas próximas semanas, após a constituição do novo Governo, na sequência das legislativas de 27 de setembro.

